terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Esperando por Ele...

Imagem: Google.



“O homem nascido de mulher vive pouco tempo e passa por muitas dificuldades. [...] Para a árvore pelo menos há esperança: se é cortada, torna a brotar, e os seus renovos vingam. Suas raízes poderão envelhecer no solo e seu tronco morrer no chão; ainda assim, com o cheiro de água ela brotará e dará ramo com o se fosse muda plantada. Mas o homem morre, e morto permanece; dá o último suspiro e deixa de existir.”
Jó 14.1,7-10


A sepultura parecia, para Jó, o único lugar propício para descanso (Jó 14.13). Mas ele não pretendia ir para lá com seus próprios pés.

Embora o pessimismo de Jó tenha sido evidenciado em praticamente 39 dos 42 capítulos do seu livro, a dúvida acerca do interesse e do cuidado de Deus sobre sua vida não foi mais forte que a sua convicção que permanecer no lugar onde estava era a coisa mais certa a fazer.

A Bíblia não relata que Jó tenha tentado colocar fim à própria vida. Não relata que ele tenha saído da cidade numa fuga desesperada da sua triste realidade. Relata todo o seu lamento diante de Deus, mas não atitudes contra Ele ou contra a Sua vontade e propósitos, embora Jó tenha deixado bem claro que, destes, ele não compreendia nenhum.

Quando Jó fez essa declaração sobre a força de regeneração da árvore, ele estava no meio de um protesto contra Deus, que parecia tê-lo abandonado e lhe causado os piores tormentos em vida. Na visão desse homem terrivelmente acometido de infortúnios, até uma árvore cortada e ressequida fora da terra valia mais que sua própria vida, mais parecida com um álbum cheio de coleções de perdas e desgostos.

Mas creio que na solitude do seu sofrimento, Jó tenha ouvido o murmúrio da voz do Senhor, alcançando seu coração de forma suave e sentenciosa: “Árvores crescem e depois são lançadas como lenha no fogo. Você está sendo regenerado no fogo para crescer e tornar-se uma árvore eterna no Meu jardim particular. Você vale infinitamente mais que elas, Jó...

Uma declaração desse tipo, ainda mais vinda da boca do próprio Deus, abre a janela do Céu na parede fria do quarto escuro das nossas almas. É o sol nascendo dentro de nós. É a mão que afaga suavemente nossa nuca, enquanto sonhamos no colo da pessoa amada, à sombra de uma árvore, à frente de um lago sereno. São os braços acolhedores da mãe embalando nosso ser com olhares de inexplicável ternura e amor, enquanto sua inconfundível voz entoa uma canção de ninar e nos faz dormir tranquilamente.

Creio que isso confortava Jó enquanto se sentava sobre as cinzas e se coçava com cacos de barro. E creio que por isso ele até permaneceu brigando com Deus, mas sempre esperando por Ele.

Jesus contou uma parábola semelhante a essa situação, em Mateus 21.28-32. Entre o filho que disse obedeceria seu pai e não foi trabalhar na vinha, e o outro filho que disse que não iria mas arrependeu-se e foi, este sobressaiu àquele, porque mesmo insatisfeito, obedeceu.

Talvez nossas dores, nosso luto, nossas questões em aberto sejam tão complicados e angustiantes, a ponto de pensarmos que qualquer coisa pareça mais importante para Deus do que nós. E esse tipo de pensamento geralmente nos leva a atitudes precipitadas, nos impulsiona a tomarmos os volantes das nossas vidas das mãos Dele.

Mas o que eu penso que o Senhor tenha dito para Jó sobre Seu cuidado e amor e sobre o real valor daquele homem, Jesus já nos declarou em alto e bom som: “Vocês têm infinitamente mais valor que as aves do céu ou os lírios do campo” (Mateus 6.25-34).

Bem, se há esperança para aves, lírios e árvores, para nós existem certezas:

A certeza que não estamos sozinhos.
A certeza que estamos no lugar certo.
A certeza que nenhum dos planos do Senhor a nosso respeito será frustrado.

E qual Jó, nós também comprovaremos isso se continuarmos esperando por Ele.