sábado, 26 de janeiro de 2013

O Ponto de Equilíbrio


Imagem: Google.


“Quando os israelitas viram o rei e seu exército marchando contra eles, ficaram apavorados e gritaram pedindo a ajuda de Deus, o Senhor. E disseram a Moisés: Será que não havia sepulturas no Egito? Por que você nos trouxe para morrermos aqui no deserto? Veja só o que você fez, nos tirando do Egito. O que foi que lhe dissemos no Egito? Pedimos que nos deixasse em paz, trabalhando como escravos para os egípcios. Pois é melhor ser escravo dos egípcios do que morrer aqui no deserto! – Porém Moisés respondeu: Não tenham medo. Fiquem firmes e vocês verão que o Senhor vai salvá-los hoje. Nunca mais vocês vão ver esses egípcios. Vocês não terão de fazer nada. O Senhor lutará por vocês.”
Êxodo 14.10-14


Situações de pressão tendem a produzir um peso tão intenso sobre nossos ombros, que poucos de nós conseguem manter o equilíbrio quando vitimados por elas. Acho muito interessante o equilíbrio de Moisés, diante de uma situação de estresse extremo, como naquele episódio diante do Mar Vermelho.

Vamos rever sumariamente os absurdos daqueles momentos. Um líder, escolhido por um Deus que o povo não via, levando milhões (segundo historiadores, pelo menos dois milhões) de pessoas em meio a um deserto, guiados unicamente pela fé, e por um caminho totalmente absurdo: com destino a um mar.

Mas ali não havia barcos esperando. Não havia nenhum iate à disposição daquele povo. Menos ainda havia um porto com navios, pela providência divina, atracados ali, aguardando a chegada da multidão cansada.

Ao contrário: à frente, havia unicamente cheio de água e vazio de recursos. Um mar humanamente impossível de ser atravessado a pé naquele ponto. Ao redor, montes, humanamente impossíveis de serem escalados por todas aquelas pessoas, considerando as crianças, as mulheres mais frágeis e os velhos. E ao fundo, um exército em fúria, decidido a retomar o domínio sobre aquele povo.

Mas o que o povo tinha para lutar? Camelos, roupas, algumas peças de ouro e prata, e medo, muito medo. Afinal, mesmo se tivessem espadas, os israelitas não conseguiriam enfrentar a poderosa e habilidosa infantaria egípcia, pois passaram muitas décadas sendo escravos, fazedores de tijolos no Egito, sem acesso ou manuseio algum a armas de guerra. O máximo que poderiam fazer na batalha naquele momento seria atacar os soldados açoitando-lhes tijoladas, caso tivessem tijolos por ali.

[Honestamente, creio que neste capítulo (14), Moisés tenha escrito somente as falas menos agressivas dos israelitas durante o êxodo, pois conhecendo a irreverente hostilidade humana, sem qualquer margem de erro podemos acreditar que dali se tenha ouvido palavras de baixo calão, grosserias e insultos pesados, que nem podem ser repetidos...]

Então, vemos um quadro assim: gente murmurando, reclamando e chorando de todas as formas e por todos os lados; o espaço cada vez menor entre o povo e o exército obstinado; impossibilidade de dar um passo sequer em fuga para qualquer direção que fosse; nenhuma condição de revidar ao ataque do exercito que rapidamente de aproxima; olhares acusadores; nervosismo em massa; silêncio dos amigos mais chegados. Que loucura!

E Moisés, o homem que merecia estar recebendo palavras de ânimo diante daquela pressão terrível que recaía sobre seus ombros, encontra-se solitário no meio da multidão, delimitado pelo círculo imaginário da promessa de Deus ao seu redor, e seguro unicamente pelo fio de ouro da sua fé.

De repente, ergue seus olhos em direção a toda aquela gente e, em vez de uma atitude desesperada diante de Deus ou dos homens, em vez de sentir-se um derrotado diante daquela circunstância apreensiva, abre os lábios e pronuncia algo que pelo equilíbrio surpreende (não aos israelitas, mas a nós, que estamos acostumados a “chutar o pau da barraca” em situações assim): “Não tenham medo. Fiquem firmes e vocês verão que o Senhor vai salvá-los hoje. Nunca mais vocês vão ver esses egípcios. Vocês não terão de fazer nada. O Senhor lutará por vocês” (Êxodo 14.13-14).

Quantas pessoas você conhece que teriam a mesma atitude de Moisés se estivessem no lugar dele naquele momento?

A Bíblia não mostra Moisés, com palavras, recorrendo à assistência divina, mas dá pistas de que ele o fez em seu coração, em espírito, quando a situação chegou àquele ponto. Moisés dirigiu-se ao povo com aquela segurança porque, em sua oração interior, obviamente ouviu a voz de Deus lhe orientando: “Por que você está Me pedindo ajuda? Diga ao povo que marche. Levante o bastão e o estenda sobre o mar. A água se dividirá, e os israelitas poderão passar em terra seca, pelo meio do mar. Eu farei com que os egípcios fiquem ainda mais teimosos, e eles entrarão no mar atrás dos israelitas. E Eu ficarei famoso quando derrotar o rei do Egito, todo o seu exército, os seus carros de guerra e os seus cavaleiros. Quando Eu derrotar os egípcios, eles saberão que Eu sou Deus, o Senhor” (Êxodo 14.15-18).

Creio que o equilíbrio de Moisés poderia ser também o nosso, se tão somente buscássemos Deus em dependência e sinceridade, no profundo silêncio dos nossos lábios e na intensidade das nossas almas, quando a vida se torna difícil demais e situações de pressão apoquentam nosso ser.

Se Moisés tivesse desistido ali, por não ter recebido força dos seus companheiros, provavelmente aquela história toda de libertação teria um final bem diferente, e com um possível desfecho de fracasso, de vergonha, de dor. Mas a segurança daquele homem não estava em outros homens. Estava em Deus, nosso ponto de equilíbrio, o lugar correto para depositarmos nossa fé e não a virmos fracassar.

Esse é o molde para que nossos corações permaneçam em Paz e tomem decisões certas e firmes nos momentos mais difíceis. Nós é que, na maioria das vezes, não fazemos uso dele.