quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A graça ensina produzir paciência...


Imagem: Google.

“O homem paciente dá prova de grande entendimento, 
mas o precipitado revela insensatez.”
Provérbios 14.29


Uma das coisas mais absurdas que andam ensinando dentro das igrejas hoje é que não devemos pedir paciência ao Senhor, mas sim graça pois, no primeiro caso, lutas virão para nos ajudar a produzir paciência. Graça não.

É impressionante esse tipo de sociedade que estamos formando, e em especial, essa sociedade religiosa, que não consegue mais lidar com o sofrimento, com as lutas, que são propostas pelas circunstâncias para nos fazerem produzir superação. Dificuldades fazem suscitar de dentro de nós força cada vez maior e sabedoria madura, de forma que os caminhos que desbravamos sejam aplainados e quem vier atrás de nós tenha, pela excelência dos exemplos que deixamos, uma estrada a seguir melhor estruturada em bons valores e preceitos.

Os ensinos explícitos na Bíblia e os seus princípios nos orientam que paciência é fruto do Espírito Santo (Gálatas 5.22), e quem aspira ao Céu necessita aprender a produzir esse fruto (2Pedro 1.5-9).

Orientam que paciência é produto de tribulações, das provações à nossa fé, e não um presente que ganhamos a qualquer tempo em que solicitamos a Deus (Romanos 5.3; Tiago 1.3).

Orientam, ainda, que paciência é uma virtude, e virtudes não são postas em nós de fora para dentro, mas desenvolvidas de dentro pra fora (Provérbios 14.29).

E orientam também que quem aprende a ser paciente consegue a aprovação de Deus, e essa aprovação cria a esperança que não nos deixa decepcionados nas adversidades da vida (Romanos 5.3-5).

Essa nova doutrina (de não devermos mais pedir que Deus nos ajude a ter paciência nas adversidades), é nova e não resiste a uma análise bíblica nem a um confronto histórico-teológico, uma vez que a própria história da Igreja é a prova mais evidente de que a paciência é fundamental nessa nossa luta pela prevalência espiritual na caminhada rumo à eternidade.

Não fosse a paciência que os santos irmãos do passado pediram a Deus e aprenderam a produzir com raízes nos tesouros mais profundos das suas almas, a Igreja não teria suportado às arenas com leões quando servia de espetáculo para o mundo, nem às fogueiras das inquisições, nem às perseguições tiranas a que foi submetida, nem aos cativeiros e exílios de extrema rigidez. Diferente da Igreja que vemos hoje, associando-se ao mundo, como alternativa mais fácil e, na verdade, a mais propícia à capacidade de sustentação da sua frágil estrutura.

Certo aforismo persa diz que a paciência é uma árvore de raízes muito amargas, mas de frutos muito doces. De fato, tornar-se paciente num mundo tão complicado e impiedoso como este não é fácil, mas é poderoso e extremamente necessário. Se existe um versículo que não combina com as manhas dessa nossa sociedade moderna e avessa ao tempo da espera e da paciência, é este: “Na vossa paciência, possuí as vossas almas”, isto é, “é perseverando que vocês obterão a vida” (Lucas 21.19- ACRF; NVI).

Lutar, perseverar, ser autocontrolado, focalizar nossas esperanças no futuro que desconhecemos, enfrentar as tribulações, produzir paciência. Nenhuma dessas expressões aparece como slogan de campanhas de propagandas dentro ou fora das igrejas, mas todas são verdades que fundamentaram e exaltaram as grandes almas daqueles que nos antecederam.