domingo, 17 de fevereiro de 2013

A próxima imagem...

Imagem: Google.


Para impedir que eu me exaltasse por causa da grandeza dessas revelações, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de satanás, para me atormentar. Três vezes roguei ao Senhor que o tirasse de mim. Mas Ele me disse: “Minha graça é suficiente para você, pois o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim.
2Coríntios 12.7-9


A cada cinco minutos, a imagem de fundo do meu computador muda. Lindas fotografias de ambientes e seres da natureza revezam-se constantemente enquanto trabalho por aqui, e jamais me cansam. Ao contrário: sobre a perfeição de belíssimos e graciosos animais, paisagens e flores, todos congelados em lindas fotografias, descanso meus olhos, meus pensamentos e, muitas vezes, também meu coração.

Algumas dessas imagens são bastante alegres. Produzem graça, fazem cócegas no íntimo de quem as vê. Semelhantes a algumas situações que vivemos, cujas horas – se pudéssemos – de tão prazerosas, não deixaríamos correr. Paralisaríamos o relógio e tornaríamos eternos aqueles momentos de delícias e encantos.

Outras imagens, embora lindas, são monótonas. Exprimem tristeza, solidão. Rimam com introspecção profunda, e insinuam certo peso, certa culpa... Geralmente é esse tipo de imagem que vemos nas cenas dos filmes de romance, em que personagens amargam suas frustrações e refletem sobre as amarguras das suas histórias. Geralmente, é esse tipo de imagem que combina com certos momentos das nossas vidas, enquanto caminhamos vagarosamente em praias desertas das nossas almas, buscando refúgio na imensidão do mar da graça divina, tentando evitar o abraço da depressão.

Há também aquelas imagens misteriosas, que sempre instigam nossa imaginação a tentar descobrir o que está sendo cozido no fogão à lenha cuja fumaça foge pela chaminé do casebre à beira do lago. Ou o motivo pelo qual parte das flores está jogada sobre a mesa, próxima ao vaso, e não dentro dele. Ou, ainda, como será passar um fim de tarde ao lado da pessoa amada, numa conversa calma e com passos despreocupados num daqueles caminhos magicamente arborizados.

É como na vida da gente, quando muitas vezes as situações montam paisagens misteriosas, cujos propósitos e desfechos desconhecemos. Queríamos saber o porquê, o para quê e como. Queríamos saber como será o fim, na esperança de não sofrermos tanto com a espera. Mas não nos foi dado esse direito.

E isso, de certa forma, é maravilhoso. Se apenas com o presente, com o nosso aqui e agora, nenhum minuto a mais e nenhum a menos, nós já temos tamanha dificuldade em lidar, incalculável seria o tamanho da tragédia que causaríamos ao mundo e a nós mesmos se o poder de coordenar todo o nosso futuro estivesse em nossas mãos.

Mas, retomando o assunto, há ainda, aquelas imagens que sugerem quietude na alma, apenas para ouvirmos o doce sussurro do Espírito Santo em nossos corações, tal qual é suave o pouso da borboleta trocando carícias e amores com uma singela flor. Cena linda de ser vista. Lição nobre a ser aprendida.

Tristes, alegres, misteriosas, auspiciosas, engraçadas, expressivas. Numa alternância constante, as imagens vão acontecendo e me cativando, tornando minha aversão a computador suportável enquanto dependo dele para trabalhar (e, para sobreviver, por assim dizer, em tempos de total dependência tecnológica...).

Quisera muitas vezes nossas vidas fossem também assim: Se não mudassem automaticamente quando em dissabores, pelo menos mudassem quando nós quiséssemos. Mas não é bem dessa forma que as coisas acontecem. Muitas situações desgastantes, conflituosas, entristecedoras são pré-requisitos para que outras melhores e mais intensas ocorram. Se a ordem dos acontecimentos for mudada, Deus não poderá fazer todo o bem que planejou para nós, e o que fizer certamente será num tempo ainda mais distante, até que nossas vidas sejam postas em ordem outra vez.

Importa-nos saber que as paisagens mudam. Não sabemos o que virá depois, embora comumente nos arrisquemos a fazer algumas previsões ou recebamos algumas profecias. Mas de uma coisa devemos ter sempre certeza: seja qual for a próxima paisagem nas nossas vidas, se o Eterno Senhor estiver no controle, a próxima imagem, ainda que não seja a mais encantadora, será sempre a mais correta e necessária para nós.