sábado, 9 de fevereiro de 2013

Reconstruir...



Imagem: Google.

“As muralhas da cidade foram reconstruídas...”
Neemias 3.1


Ao longo dos séculos temos visto civilizações inteiras sendo devastadas, arrasadas por tragédias naturais ou por interferência de outras nações. Mas depois de algum tempo, um novo povo surge do meio daqueles escombros e cresce construindo uma nova nação, mais inteligente, mais resistente, melhor aparelhada.

O mundo olha para esses recomeços e pode aplaudir de pé, porque uma conclusão a respeito disso tudo é a certeza absoluta que conseguimos ter: Que a capacidade de superação que há dentro de cada um de nós é impressionante e inexplicável.

Quando o ser humano não quer, ele não se prostra diante das suas quedas, sejam elas oriundas das suas próprias fraquezas ou dos empurrões que recebe ao longo da sua caminhada. Cada pessoa é dotada de uma capacidade extraordinária de sobressair-se aos infortúnios, e esta é resultado do fôlego de Deus em nós, a essência da Sua vida na nossas vidas.

Podemos nos reencontrar das perdas porque Deus não Se perde diante delas. Por Ele ser inatingível e e inabalável, temos condições de recomeçar pela Sua força em nós. E nós já a temos, desde que recebemos Dele a vida.

Israel é um povo assim, suplantador. Superior aos seus medos, às suas imperfeições, irreverente à sua pequenez e limitações. Um povo acostumado a lidar com as mais terríveis adversidades, mas incansável e intensamente disposto a recomeçar. Dos cacos de Israel, espalhados pelo mundo inteiro, têm surgido flores em todas as suas gerações.

A reconstrução das muralhas é um desses exemplos de confiança em Deus e disposição de prosseguir. Prosseguir da maneira certa, com o propósito certo, sem se desviar do alvo.

Em vez de montar praças e enfeitar as ruas, Neemias e seus compatriotas foram reerguer os muros. Era necessário primeiramente estabelecer limites entre aquele lugar e o resto do mundo, porque Jerusalém necessitava ser refeita por dentro. Além disso, era necessário se precaver e proteger a cidade contra possíveis novos ataques de inimigos. Só então o restante poderia ser reconstruído com segurança. Mas era necessário também deixar portas, porque os relacionamentos com o mundo lá fora permaneceriam. Uma nação não pode subsistir vivendo isolada das demais.

Ocorre que nosso comportamento promove posturas contrárias. Por um lado, em vez de analisarmos a vida e aprendermos com circunstâncias adversas até onde podemos ir, nossa preocupação não está em construir muralhas de proteção, mas em reconstruir dentro da cidade, sem nenhuma segurança, expostos a todo tipo de novos ataques, e ainda mais fragilizados agora.

Por outro lado, simplesmente, construímos muralhas sem portas. Em vez de demarcar limites e acessos, nós fechamos nossas vidas para qualquer outra possibilidade. E nos trancamos dentro do nosso mundo pessoal, blindado por um mecanismo de defesa desequilibrado, que não vê nas pedras dos escombros material para se erguer um grande monumento.

E há ainda quem medrosa, teimosa ou inconsequentemente, insista em reconstruir sua vida com as pedras danificadas e a areia solta dos escombros, não com novos  e mais propícios materiais.

Quando caminhamos sobre as ruínas do nosso ser, após um grande desapontamento com a vida – seja material, físico, espiritual, sentimental, profissional, ou outro – nossa primeira tendência é lamentar, nos prostrar, dar tudo por perdido, e querer desistir. Nos achamos incapazes de sermos felizes outra vez. Ou até pensamos que isso seja possível, mas não para nós, não tão cedo, nem tão óbvio.  

É certo que recomeçar não é fácil, porque agora, além de termos de refazer tudo outra vez, ainda temos de limpar o local dos escombros. Mas há um grande consolo aqui. Jesus não nos iludiu que jamais sofreríamos, mas nos alertou que encontraríamos consolo e força nos Seus braços quando isso acontecesse. Ele não nos disse que não cairíamos, que não nos machucaríamos, que não nos frustraríamos na caminhada. Mas Ele garantiu que estaria lá para nos reerguer e ajudar a recomeçar outra vez, e outra vez, e outra vez...

As cicatrizes das perdas, das frustrações, das humilhações, das quedas, marcam uma geração inteira. Marcam uma nação inteira. Marca uma vida inteira. Mas os desenhos dessas marcas, muitas vezes próximos a hieróglifos intraduzíveis, como um grande tapete de tatuagens forram o lugar sobre o qual ainda precisamos continuar caminhando e construindo.  

Elas estão ali, não como sinais demarcando um território minado e a localização das suas minas. Não como placas de regulamentação que nos impedem de seguir em frente. Mas sim como registros das experiências que nos ensinaram. Como mapas memoriais de momentos diversos que nos trouxeram dores, porém, muito mais superação e ensinamento.

As cicatrizes da vida existem para não nos esquecermos jamais que feridas se fecham, e que depois de uma grande perda é sempre possível reencontrar-se, reerguer-se e reconstruir outra vez.