terça-feira, 26 de março de 2013

Como uma planta nova...

Imagem: Google.


“Para uma árvore há esperança; se for cortada, brota de novo e torna a viver. Mesmo que as suas raízes envelheçam, e o seu tronco morra na terra, basta um pouco de água, e ela brota, soltando galhos como uma planta nova.”
Jó 14.7-9 - NTLH


Há quase uma década, três lindas plantinhas enfeitavam a parede da minha sala lindamente. Para que permanecessem sempre bonitas e em constante crescimento, periodicamente recebiam, além de carinho e elogios, terra nova, água fresca e vitaminas.

Dia desses, porém, duas delas resolveram adoecer, quase simultaneamente. Sem mais nem menos as folhas iam enfraquecendo, amarelando e morrendo. Brotos novos vingavam, folhas novas surgiam, mas também iam perecendo tão logo cresciam. Isso durou cerca de três semanas, e nem mesmo uma nova terra e podas constantes sanaram o problema.

Eu já tinha desistido delas.  Até já tinha conseguido uma nova mudinha de outra planta igual para substituir uma delas. Acontece que um peso em minha consciência me incomodou por dois dias enquanto, na correria das minhas muitas ocupações, passava pelas pobrezinhas sem socorrê-las, e elas cada vez mais com menos vida.

Até que decidi pelejar mais uma vez pelas plantinhas, e o resultado veio de uma atitude radical minha. De uma poda ainda mais severa, apenas uma pontinha do caule com brotos e as raízes foram preservadas. Todo o restante foi retirado dos vasinhos, que agora se encontram aparentemente vazios mas, desta vez, abrigando seres em processo silencioso, lento e delicado de regeneração.

Todos os dias cuido para que não lhes faltem carinho, atenção, água. Nesta manhã, olhei com muita atenção os poucos galhinhos dentro dos vasinhos, e sorri. Havia pequenos brotinhos surgindo sem pressa. Espero, agora, que sejam saudáveis.

A situação dessas plantinhas se parece muito com a minha e com a sua, vez em quando, em que angústias incontáveis brotam em nossas almas e começam em nós um processo de morte lenta e dolorosa, que nenhum ser humano nem coisa alguma conseguem interromper.

E não só isso. Ocorre também quando a doença do pecado, como a pior das pragas, contamina nossas almas, adoecendo nossas folhas, danificando nosso caule, comprometendo nossas flores, estragando nossos frutos, impedindo a formação de novas e boas sementes.

Nós murchamos diante de circunstâncias assim. Perdemos o vigor, enfraquecemos tanto à ponto de não conseguirmos mais sorrir com espontaneidade, erguer a cabeça com esperança, manter nossos galhos rumados para o alto, em posição de louvor ao Criador.

Alguém tenta arrancar os pedacinhos danificados e, muitas vezes, causa feridas ainda maiores em nós.  Outras vezes, até parece que fomos sarados. Mas bastam alguns dias – ou mesmo horas – para que as manchas doentes surjam outra vez, expondo nossas fraquezas e nos deprimindo ainda mais.

Terapias até podem ajudar nessas horas, pois nos ensinam a podar nossas piores folhas, mas a doença ainda está nos lugares mais escondidos, onde não alcançamos, esperando o momento oportuno para se manifestar de novo, e de novo, e de novo...

Convém fazermos seções terapêuticas. Mas nada disso tem eficácia se o tratamento celestial não for realizado em nós. Porque olhos capazes de enxergar as minúcias da nossa dor, mãos capazes de tocar o mais íntimo do nosso ser, só Jesus tem.

Maravilhosa notícia é saber que Ele não desiste de nós, mesmo quando tem acesso ao núcleo do buraco das nossas imundícies, onde palavras já não dão conta de desqualificar nossas mazelas, tamanha é sua podridão.

E se for preciso cortar radicalmente os galhos contagiados pelo mal, o Senhor o fará sem cerimônias, com cuidado, com paciência, com precisão, porque Ele sabe exatamente o que está nos adoecendo e matando, e tem a experiência e o conhecimento necessários para reverter o quadro.

Depois de algum tempo sendo trabalhados por Deus através dos altos e baixos da vida, compreendemos que perdas, renúncias, afastamentos, lágrimas, isolamento, esforço, cansaço, combates e até frustrações, entre outros, são podas ou produtos delas que, embora causem grandes dores, são necessárias para que a vida seja preservada e se desenvolva em qualidade.

Se raízes envelhecidas e galhos curtos e ressequidos plantados numa terra igualmente seca e sem vida, estão gerando uma nova planta, quanto mais nós, seres humanos, povo do Altíssimo, podemos ser regenerados quando os desertos dos nossos corações são regados pela Água Viva do Senhor e por diálogos diários com Ele.

E quando os primeiros brotos de uma nova fase surgem, Deus sorri. Ele sabe que a experiência pessoal com Ele gerou contrição e quebrantamento em nossos corações. Sabe que agora temos essa seiva saudável nos mantendo vivos e santos. E nós já não seremos mais os mesmos...