sexta-feira, 8 de março de 2013

Culpada chuva...


“Pois Deus que disse: “Das trevas resplandeça a luz”, Ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo.”
2Coríntios 4.6


Imagem: Google.
Pareciam milhares de gotinhas de prata se precipitando sobre mim...

Na escuridão do céu noturno, a chuva (tão, tão esperada...) desceu, cortando as luzes concentradas ao redor do prédio em que moro, e criando um efeito visual de beleza rara. As gotas d’água desciam deixando um rastro que, iluminados, brilhavam em tom prateado e ascendiam sentimentos em meu coração.

A graça se manifesta outra vez em forma de chuva, e nem sempre conseguimos ver a beleza, o encanto, a importância. Acusamos a chuva de atrapalhar nossos passeios, dificultar nossa ida ao trabalho, impedir alguns eventos programados para os nossos fins de semana... Acusamos a chuva. Acusamos a escuridão do céu. Acusamos a falta de tempo. Acusamos qualquer um. E é possível que benditas chuvas passem sem que percebamos seu fascínio e serventia simplesmente porque não paramos diante de uma janela ou, se o fazemos, não olhamos através da luz, mas sempre através da escuridão.

Às vezes, não conseguimos ver a bondade do Senhor nos cercando, simplesmente porque escolhemos continuarmos agitados, preocupados, e mantemos a janela da nossa alma fechada. Outras vezes, até a abrimos, mas olhamos apenas para os pontos escuros, para os lugares misteriosos que jamais compreenderemos, ou mesmo através das luzes erradas.

Queremos olhar pelas luzes do reconhecimento humano. Queremos prestígio humano. Queremos fama, status, crescimento material, conforto. E quando essas coisas não chegam, a chuva parece sempre ser uma coisa muito ruim.

Queremos sempre olhar pelas luzes do que perdemos, nunca pelas luzes dos livramentos que recebemos em consequência da perda. Sempre pelas luzes do que não temos, raramente pelas luzes daquilo com que já fomos beneficiados. Sempre pelas luzes da dor, jamais pelas luzes da edificação, do crescimento, dos ganhos, da experiência.

De outro modo, queremos compreender coisas que fogem completamente do nosso sistema de lógica humana, ou que jamais caberão dentro da nossa capacidade limitada e terrena de compreender as coisas espirituais. E quando isso acontece, muitas coisas (e até nossas próprias vidas) parecem perder o sentido.

Mas a chuva tem seus porquês, seus benefícios e utilidades intransferíveis. Tudo coopera para o nosso bem (Romanos 8.28), mesmo essas chuvas ligeiras de verão. Por isso, a luz que a Bíblia nos aponta como o único agente capaz de nos fazer enxergar além das circunstâncias e nos induzir a perseverar para além dessa nossa simples existência aqui, é o amor de Deus (2Coríntios 4.6). Somente através da nossa fé nos Seus princípios é que podemos ver sentido onde ele realmente não existe, e aguardar pela chegada daquilo que nossos olhos jamais puderam ver e, contudo, aceitam que é real.

A luz do Senhor. Esse é o véu por onde podemos enxergar melhor a dimensão da graça se dissipando sobre nós, intensa, vívida e refulgente, qual chuva de prata, qual chuva de graça, graça que se dissipa superabundante (Romanos 5.20).

E quando é vista pelos olhos de um coração quebrantado, intensifica seu amor e gratidão pelo Pai... Constrange os corações acostumados a duvidarem da fidelidade do Senhor, quando os céus se escurecem e as nuvens carregadas dispensam águas em vez de descortinarem estrelas...

É que esses corações aprendem a valorizar mais o que é necessário que aquilo que é agradável. Um céu cortinado de estrelas é mesmo um espetáculo sem precedentes que a cada nova exibição se supera. Contudo, são as chuvas que regam e fecundam a terra, melhoram o clima, produzem vida.