quarta-feira, 20 de março de 2013

Olhar para o mundo...


“Mas, quando [Pedro] reparou no vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: Senhor, salva-me!”
Mateus 14.30


Imagem: Lord, Save me! By Edmond Oliveros (1999).
Às vezes, me pego olhando demais para este mundo.

Em momentos assim, eu começo a questionar o Senhor, a duvidar das promessas, a oscilar entre a fé e a razão. São momentos em que começo a me sentir injustiçada, triste, infeliz, incompleta, abandonada, só.

Quando nós começamos a olhar para o este mundo como um fim para nossas vidas, passamos a viver sob a visão limitada do aqui e agora. Passamos a assumir as dores das nossas adversidades como se fossem eternas. Passamos a uma busca constante de coisas que enchem os olhos mas não podem preencher o vazio dentro de nós.

Quando nós começamos a olhar para este mundo, nós nos revoltamos contra os sistemas, esperamos muito das pessoas e nos decepcionamos demais com elas, sofremos pelas as circunstâncias muito além do necessário.

Quando nós começamos a olhar demais para este mundo como se nós dependêssemos dele, perdemos a visão da eternidade, perdemos a sensibilidade ao sobrenatural, perdemos a noção que ser grande não é ter dinheiro ou prestígio, mas sim ter bom caráter e andar com Deus.

O mundo não é um bom negócio. Em vez de curar feridas dentro de nós, ele habilmente as multiplica. Em vez de nos acolher quando nossos corações se espatifam no duro chão da realidade, o mundo sorri da nossa decadência, bate palmas e às vezes até escarra em nossas mazelas. Em vez de nos valorizar, o mundo nos usa como coisas e valoriza coisas como pessoas.

Por esses e inumeráveis outros motivos, foi que Jesus nos instruiu a buscarmos primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça (Mateus 6.33). Isso, de fato, deve ser a prioridade das nossas vidas pois, segundo a Bíblia, este Reino não é comida, não é bebida, nem se constitui em palavras. É, sim, justiça, paz, alegria no Espírito Santo, e poder de Deus (Romanos 14.17 e 1Coríntios 4.20). Essas são coisas que operam para o nosso bem aqui e excedem os limites da eternidade, encaminhando nossas vidas para o lugar da salvação e do descanso eterno.

Foi por isso também que Paulo advertiu à Igreja do Senhor Jesus: “Vocês foram ressuscitados com Cristo. Portanto, ponham o seu interesse nas coisas que são do céu, onde Cristo está sentado ao lado de Deus. Pensem nas coisas que são lá do alto e não nas que são aqui da terra. Porque vocês já morreram, e a vida de vocês está escondida com Cristo, que está unido com Deus” (Colossenses 3.1-3).

As coisas desse mundo, seus sistemas que independem de Deus, seus valores contrários à Palavra divinamente inspirada, suas projeções na maioria das vezes desvirtuadas dos moldes eternos, possuem vida útil que termina precisamente quando as nossas vidas também terminam. São coisas materiais, sentimentais e espirituais que não podemos levar conosco para a eternidade, mas que deixarão consequências que se estenderão além dos limites dessa vida e determinarão onde nós estaremos na vida futura.

Por isso, olhar para o mundo e questionar as coisas de Deus põe-nos numa margem de risco incalculável de nos enfraquecermos ainda mais, de nos desesperarmos e sofrermos ainda mais, de nos perdermos pelo caminho e nunca mais voltarmos.

Em qualquer circunstância, nossos olhos devem estar firmes no Senhor, e isso é o que fará brotar louvores dos nossos corações, os quais serão manifestos pelos nossos lábios e manterão a Paz e a gratidão sempre em nossa companhia, até que o Eterno Se manifeste e transforme as situações.

Olhar para o mundo quando nosso barquinho é açoitado pelas fortes ondas do mar em meio aos temporais da vida, é perder a singular visão do Mestre andando sobre as águas. É renunciar à oportunidade de caminharmos sobre as águas, ainda que por alguns instantes apenas. É dar as costas ao Homem que serena e seguramente aguarda o momento certo de entrar no barco e fazer o vento cessar.