domingo, 28 de abril de 2013

Do lado de cá da porta...

Imagem: Google.
“Cantarei ao Senhor, 
porque gloriosamente triunfou [...]
O Senhor é a minha força, 
e o meu cântico; Ele me foi por salvação [...]
Cântico de Moisés, Êxodo 14.1,2


Ontem, depois de longos três anos e meio de noites mal dormidas, sem fins de semana ou feriados, sem férias e com um problema de saúde de brinde, finalmente colei grau da minha (espero) primeira graduação.

Não tivemos baile de formatura (e se tivéssemos eu não participaria do mesmo jeito), e nem mesmo houve comes e bebes. Apenas uma cerimônia muito simples com alguns familiares que quiseram participar e fotografar o momento de encerramento oficial do curso.

De início, eu não queria participar de cerimônias. Apenas assinar o livro era suficiente para mim. Pensava que o mais importante eu já tinha feito: era doar três anos e meio da minha vida para realizar e concluir com honra aquele tão sonhado curso. Sem dúvidas, o processo todo da minha graduação foi muitíssimo importante, mas o sabor da conquista estava mesmo no fim do percurso, do outro lado da faixa, ou do outro lado porta, quando adentrávamos uma nova fase e a porta de saída daquela faculdade de Pedagogia atrás de nós foi finalmente trancada.

Eu precisava ver a emoção nos rostinhos de todos os meus colegas de classe, os dezoito vitoriosos que concluíram o curso numa turma que começou com cinquenta pessoas, para compreender como é gostoso o sabor de concluir algo por que tanto sofremos, por que tanto nos doamos, com que tanto sonhamos.

Quando nos tornamos totalmente dependentes do Senhor, ficamos acostumados a receber tudo o que precisamos, muitas vezes sem ter nem mesmo o trabalho de pedir a Deus. Por isso, vez em quando é necessário que o Senhor permita-nos passar situações de lutas, de espera longa, de paciência renovada constante, de dedicação permanente, de renúncias e mais renúncias, para forjar em nós um espírito forte, dependente do Senhor, porém, determinado e disposto a pagar o preço necessário por uma conquista que valha à pena.

Esse preço muitas vezes parece alto demais. Pensamos que jamais daremos conta dele. E é bem nesse ponto onde o nosso amor por Deus é testado. A triste realidade é que fica mais fácil para uma grande maioria de pessoas murmurar e ceder ao medo, ao desespero e à incredulidade quando as dificuldades se interpõem entre nós e nossa vitória.

Miriam e suas companheiras tocaram pandeiros, cantaram e dançaram ao Senhor somente depois que o Mar Vermelho foi aberto dando-lhes passagem e voltou a ser fechado, destruindo os carros e os soldados de faraó (Êxodo  15.19-20). Desde o cerco diante do Mar e dos montes, a pessoa que se manteve otimista, em sintonia com Deus e agiu com um perfeito e apreciável equilíbrio diante de toda a pressão a que estava disposto foi Moisés (Êxodo 14.11-14).

A faculdade de olhar para o futuro mesmo sem conseguir enxergar nenhuma possibilidade de alegria e boas realizações nele, e mesmo assim erguer as mãos ao alto e adorar ao Senhor com um coração sincero ainda que sangrando em dor, é uma das aptidões mais perfeitas e poderosas que o Criador nos concedeu. E nós devemos fazer uso dela constantemente, diante de qualquer circunstância.

Quando o momento de cruzarmos a linha de chegada acontecer, quando passarmos para o lado de cá e a porta da dor for encerrada atrás de nós, nós olharemos para ela emocionados, ao perceber que cada lágrima e cada suspiro de espera, todo sofrimento, toda luta e ansiedade, tudo isso temperado com cânticos sinceros de louvor valeu à pena.

E diante dos jardins à beira da nova estrada que já começa, um novo cântico nascerá em nossos corações: O cântico da gratidão Àquele que conhece a nossa estrutura em todas as suas particularidades, e mesmo sabendo que não somos dignos, nos levanta de monturos, nos presenteia com tesouros maravilhosos, e nos põe assentados com honra em meio a príncipes.


É assim que eu quero Te adorar - Eyshila (2005)