terça-feira, 9 de abril de 2013

Minha fraqueza, Sua força...

Imagem: Google.


“Três vezes orei ao Senhor, pedindo que Ele me tirasse esse sofrimento. Mas Ele me respondeu: ‘A Minha graça é tudo o que você precisa, pois o Meu poder é mais forte quando você está fraco’. Portanto, eu me sinto muito feliz em me gabar das minhas fraquezas, para que assim a proteção do poder de Cristo esteja comigo. Eu me alegro também com as fraquezas, os insultos, os sofrimentos, as perseguições e as dificuldades pelos quais passo por causa de Cristo. Porque, quando perco toda a minha força, então tenho a força de Cristo em mim.”
2Coríntios 12:8-10


Nossas fraquezas elevam ainda mais o Senhor. Nossas lágrimas regam os jardins do Seu coração. Nossos erros expõem a Sua perfeição e Lhe exaltam.

Parece uma contradição absurda, não é? Mas essa é a lógica que mantém o Senhor Deus no trono do universo. Essa é a ciência cujas palavras não explicam e cuja imensidão não se compara.

O impossível soprando as velas do barco da nossa existência.
O que é imperfeito rompendo em sucessivas metamorfoses rumo ao infinito.
O extraordinário de todo o universo contido no interior da caixinha blindada do coração.

Parnasianismo romântico, que expõe com clareza a cruel realidade da vida embrulhada no papel de presente da graça e enlaçada pela fita vermelha acetinada do amor de Deus. Cupcakes sortidos, decorados com o marzipã da bondade e confetes de misericórdia, servidos quando a festa parece ter acabado, e ainda assim fazendo dias tristes um pouco mais doces.

E é nessa lógica ilógica que vamos caminhando dia após dia, buscando em Cristo a força que não vemos, mas que nos leva aos mais altos pódios da existência.

Contudo, a graça em nosso favor não diminui o favor de Deus aos outros. Antes, o amplia, gerando em nós condições de sermos mais servos e menos senhores, mais simples e melhores. E faz-nos vencedores pela obediência e pelo bom testemunho.

A força de Cristo não se permite usar para esbofetear as fuças de quem nos ofende. Ela contraria a razão humana e nos ensina a calar diante das ofensas, fazendo-nos vencedores pelo silêncio.

Essa força não se manifesta em nós para nos fazer correr mais rápido e fugir astutamente das situações sofríveis da vida. A força de Cristo em nós serve para nos firmar no lugar onde estamos e nos habilitar a enfrentarmos as adversidades de frente, fazendo-nos vencedores pela persistência.

A força de Cristo não nos é dada com o intuito de provarmos aos outros que somos, temos ou podemos alguma coisa. Ela serve justamente para nos tornar valentes o suficiente para assumirmos que não somos nada, não temos nada, nem podemos nada, e faz-nos vencer pela total dependência de Deus.

A força do Senhor não vem a nós como um atributo que nos coloca acima do bem e do mal. Em vez disso, vem nos dar condições de admitirmos quão pecadores somos e quão carentes das misericórdias de Deus. E assim Sua força faz-nos vencedores pela sincera humildade.

Essa força extraordinária bem que poderia tratar logo nossas feridas. Mas em vez disso, primeiro nos ensina a compreendê-las, porque só enquanto estão abertas é que nós estamos suficientemente atentos a elas, e aptos a perceber a origem do problema. Só então faz-nos vencedores pela maturação.

E essa manifestação de improváveis reais se dá principalmente quando nossas fraquezas estão mais evidentes. Porque a força de Cristo não muda a vida, muda pessoas. Não transforma o mundo, transforma caráter. Não age pra encantar os olhos, opera maravilhosamente nos recônditos da alma. Não acata ao que é exigido, provê o que é necessário.

Faz-nos caminhar em glória sobre o caos, em alegria sobre a dor, em satisfação sobre os apertos.
E faz dessas nossas fraquezas nossos maiores momentos de triunfo.