sábado, 11 de maio de 2013

Aprendendo a voar...

Imagem: Google.


“Como a águia ensina os filhotes a voar e com as asas estendidas os pega quando estão caindo, assim o Senhor Deus cuida do Seu povo.”
Deuteronômios 32.11


Era um lugar tranquilo, um ninho aconchegante, um período de conforto na presença do Senhor. Foi um tempo de uma intimidade inquestionável, de uma fé inabalável, de aprendizagens constantes assentados aos pés do Amado Jesus em horas e horas de estudos bíblicos, de leitura diária da Palavra, de oração sincera, de alimentação espiritual.

Anos e anos de experiências com Deus num deserto que, embora árido e solitário, deu-nos as melhores oportunidades de conhecer o Senhor de perto, aprender a identificar Sua voz dentre as milhares que retumbam todos os instantes tentando confundir e desviar nossa atenção do caminho da salvação.

Foi uma época em que a Divina Águia saía à caça pessoalmente e trazia-nos a comida até o ninho, protegia-nos dos predadores, cuidava-nos com todos os mimos. Época em que nos sentíamos bem guardados, fortes, influentes. Época de segurança, de ousadia, de esperança inviolável, porque a voz do Senhor falava bem de perto, a Sua visão de lince acerca do futuro era o que nos guiava, e a Sua força se empenhava em nosso favor.

Que tempo maravilhoso aquele, lá dentro do ninho, onde nenhum inimigo ousava se aproximar. Onde nosso Pai respondia por nós. Onde as dores pareciam não existir.

Mas filhotes crescem, não é? E chegou o momento em que o ninho começou a ficar apertado. O aprendizado dentro dele devia ser levado para fora. E a teoria teve de começar a ser praticada. Foi então que Deus nos deu um abraço, como que Se despedindo por algum tempo, porque sabia que, à princípio, os filhotes não compreenderiam quando o Senhor lhes colocasse para fora do ninho.

Começava, repentinamente, um tempo em que seríamos forçados a voar. Deveríamos abrir as asas e por em prática tudo o que havíamos aprendido com o Senhor ao longo do tempo no aconchego do ninho.

De repente, a paz que cantava aos nossos corações todas as manhãs era impedida de chegar porque uma turbulência se manifestava logo ao despertarmos do sono. Tudo parecia tão confuso e assombroso... Diante da solidão que há longe do ninho e da presença do Pai, imagens de um passado morto ressuscitaram, uma atrás da outra, e começaram a desfilar com a mortalha já apodrecida e rasgada da autocomiseração em nossas mentes, o tempo todo. Uma dor imensa diante da separação, uma sensação de abandono e rejeição diante do silêncio, e a inevitável ideia e que a fidelidade que o Senhor prometera e demonstrara outrora parecia não existir mais.

São momentos tão difíceis, esses!... Parece que Deus não está Se importando, não está preocupado em nos ouvir, não está mais por perto. Mas na verdade, Ele está. Está nos ensinando a voar. Pois tudo o que o filhote aprendeu, tudo o que do Senhor recebeu, não foi lhe dado para ser guardado, mas para ser usado, aplicado em toda a sua maneira de viver, e para revelar a glória do Altíssimo ao mundo através da sua vida. Porém, se o filho da águia permanecer apegado a um ninho, escondido dentro dele, isso não será possível.

Quando chega esse momento de começarmos a voar sozinhos, é comum um desespero muito grande arrebatar nossa calma, porque o que parecia tão estável de repente se torna um turbilhão. Mas é aqui que devemos compreender que é chegado o nosso momento de usar as asas que já nos foram formadas, e nos esforçarmos para desenvolver a preciosa e sublime habilidade de voar.

Claro, não será fácil, nem será na primeira tentativa. Tropeços acontecem, desequilíbrios ocorrerem, quedas são inevitáveis. Mas as garras habilidosas do nosso Pai cuidadosamente nos recolhem antes que nos espatifemos no chão. Porque “como a águia ensina os filhotes a voar e com as asas estendidas os pega quando estão caindo, assim o Senhor Deus cuida do Seu povo. Ele os guiou sozinho, sem a ajuda de outro deus” (Deuteronômio 32.11-12).

É bem possível que as muitas novidades que transformaram repentinamente nossas vidas, e os conflitos interiores que nos entristecem hoje, sejam produtos dessa nova experiência a que estamos sendo submetidos: A experiência de deixar o ninho e aprender a voar. 

E pode ser que nossos primeiros voos pareçam um fracasso mas, na verdade, são as parcelas necessárias ao aprendizado e crescimento, e a soma de todos eles será um resultado maravilhoso. E mesmo diante da nossa incredulidade momentânea, do sentimento de fraqueza e insuficiência que nos acomete em circunstâncias assim, mesmo diante das dificuldades dos primeiros voos, nosso Pai Águia não desistirá de nos ensinar e nem deixará que nos choquemos contra uma rocha, se nós também insistirmos em aprender e seguirmos todas as Suas direções.

Nessas condições, num curto espaço de tempo estaremos voando nas alturas de um céu sem limites para nós. E nosso Pai estará lá, realizando em parceria conosco voos espetaculares, e compartilhando conosco da alegria das grandes conquistas que virão.

E então, compreenderemos o propósito das nossas vidas, e o privilégio que nos foi dado de sermos espiritualmente como águias e de termos Deus como Pai.