sábado, 22 de junho de 2013

Vivermos sozinhos...

Imagem: Google.


“Deus faz que o solitário viva em família. [...]
O deserto e o lugar solitário se alegrarão disto;
e o ermo exultará e florescerá como a rosa.
Abundantemente florescerá, e também jubilará de alegria e cantará. [...]”
Salmos 68.6 e Isaías 35:1-2



Quando nós escolhemos vivermos sozinhos, tudo fica mais difícil...

Administrar nosso tempo se torna um grande desafio. A gente até se ilude que estudar noite adentro até dormir sobre os livros, ou trazer uma porção de trabalhos para fazer em casa até de madrugada sejam reflexos da nossa liberdade. Mas, na verdade, sabemos que isso é resultado da nossa fuga pessoal da solidão, essa pessoa malvada que se assenta todo fim de tarde no sofá da nossa sala, e pacientemente nos espera para receber nossa atenção e no-la retribuir com um abraço gélido e doloroso.

Quando nós escolhemos vivermos sozinhos, dar-nos por plenamente satisfeitos ao final de um mês de férias é quase uma utopia. Viajamos para o outro lado do mundo e não conseguimos alcançar dentro de nós mesmos o lugar onde algo (ou, antes, alguém) nos falta. Praticamos tudo o que planejamos durante um ano, mas não conseguimos elaborar uma linha sequer de um projeto que extermine de vez a ausência no travesseiro ao lado, que adormece conosco e é também sempre a primeira visão que temos logo ao despertarmos do sono.

Quando nós escolhemos vivermos sozinhos, passeios a lugares extraordinários não são tão encantadores e envolventes quanto poderiam ser se alguém especial estivesse lá conosco.  Não há tanta beleza nas Cataratas do Iguaçu quanto há na sinceridade do olhar de alguém que nos ama, acompanha e dá significado às nossas vidas.

Quando nós escolhemos vivermos sozinhos, fazer comida em casa para uma só pessoa torna-se um sacrilégio. E de tão crítica, a situação se torna comovente: Comemos qualquer lanchinho na hora em que dá certo, geralmente quando almoçamos nós não jantamos, e quando jantamos é porque não almoçamos... E assim nos tornamos a alegria e a maior fonte de lucros dos donos das pizzarias, restaurantes delivery, e dos mercadinhos próximos às nossas casas.

Andar sozinho torna a caminhada mais cansativa. Ou corremos demais e aumentamos as estatísticas mundiais sobre pessoas estressadas, ou simplesmente rastejamos desanimados, suspirantes e incompletos diante de todo o percurso que ainda nos espera à frente, e que bem poderia parecer mais curto se outra pessoa nos ajudasse a fazê-lo.

Quando Jesus nos assegurou que estaria conosco “todos os dias, até a consumação dos séculos”1, Ele o fez não somente porque há um vazio dentro de nós que só Ele é capaz de preencher. Isso é fato e é indiscutível. Mas Jesus também Se prontificou a nos acompanhar, porque Ele, mais do que ninguém, sabe o quanto é dolorida a ausência total das pessoas que amamos e desejamos conosco.

Jesus experimentou a solidão de ser provado num deserto e estar acompanhado unicamente pelo Espírito de Deus2. Experimentou a solidão de ser desprezado pelos Seus próprios irmãos de sangue3 e a solidão de não receber cobertura espiritual de Seus irmãos de fé no Getsêmani4. Experimentou a solidão de ser abandonados por Seus amigos mais íntimos quando foi perseguido5. Experimentou solidão de ser condenado injustamente6 e ter de levar a cruz sozinho, sem ninguém que voluntariamente se dispusesse a ajudá-Lo7, embora por todos é que Ele foi submetido àquele sofrimento8. Experimentou, enfim, a solidão de morrer crucificado compreendendo tudo o que sentimos e pensamos sem ser compreendido por ninguém9.

Além das contrariedades que citei, existem muitas outras inconveniências que dificultam a vida de quem escolhe viver sozinho. Não quero reduzir minha fala ao simplismo, mas creio que posso afirmar: Fosse para vivermos eternamente sozinhos, Deus não teria instituído o casamento, não teria criado e valorizado tanto os amigos, não teria nos feito Seus filhos e nos dado tantos irmãos na fé, não teria nos dado o Santo Espírito, nem teria nos prometido vida eterna no Seu Reino.

Mas atenção: Não é qualquer pessoa que pode ter um relacionamento amoroso conosco, nem se tornar nosso melhor amigo, tampouco ser chamada nosso irmão de fé. E para que possamos acertar nessas escolhas, temos o auxílio do Divido Espírito de Deus. 

Com Ele, nosso caminho fica mais protegido e iluminado. E cada pessoa que o Senhor traz ao nosso encontro calça mais um trecho da estrada por onde nossos pés trilham sobre uma estrutura firme e constante.


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1 Mateus 28:20.
2 Mateus 4:1-11.
3 João 5:1-8.
4 Mateus 26:36-46.
5 Mateus 26:56.
6 Lucas 23:13-24; 1João 3:5.
7 Lucas 23:26.
8 Romanos 4:25; Gálatas 1:4.
9 Isaías 53:1-6.

Elaine Cândida