sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Restauração


By Elaine Cândida, com imagens da Internet.


Porque era pecado, pesava.
Àquela pobre alma acusavam,
e encerrava-se atrás das conhecidas grades
do desespero, do vazio, da solidão.

Esperava ser ouvido,
esperava ser compreendido.
Mas dos seus irmãos e amigos
colhia  apenas reprovação.

Palavras de pouca esperança,
frieza, indiferença e desprezo,
minguavam sua pouca fé
e lhe tornavam cada vez mais sozinho.

E pensou já ser um condenado.
E convenceu-se que não era amado.
E quando nada mais podia lhe suster,
existir passou a não ter mais sentido.

‘Té que em noite de lamentos,
lavando o chão com tristes prantos,
debruçado sobre o Livro – já surrado –
repetidas vezes pôs-se a ler

o que ninguém ousou falar e todos ocultaram
mas aquele velho Livro estava a dizer,
qual brisa suave tocando-lhe a alma:
“Não tenha medo, pois Eu estou com você”.1

Que refrigério, que grande consolo!
Que luz preciosa despontar começava
para um coração estraçalhado...
Que misericórdia então experimentava.

Quem disse aquilo foi o Deus do universo,
e uma certeza em sua alma implantava:
Onde um dia abundou o pecado,
a partir de então superabundaria a graça.2

Porque antes cedeu ao pecado,
pensou que seu fim era a morte,
mas Deus restaurou-lhe a sorte,
quando seu coração ali se rendeu.

Levantou-se, novo ser, transformado.
Renunciou viver preso ao passado.
Deixou críticas e acusações de lado.
E prosseguiu de mãos dadas com Deus.

Tem o Céu como alvo agora.
E se chora, é de gozo e gratidão.
Se lhe falham outra vez os pés,
sente o amparo da Divina Mão.

E assim, na escura noite ou em lindos dias,
canta com absoluta convicção:
No lindo Céu, eu gozarei.
De toda dor, por Deus, livre serei!3


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[1] Isaías 43:5
[2] Romanos 5:20
[3] Hino 442 da Harpa Cristã