sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Sobre o caminho de um cristão distinto...



Imagem disponível na Internet.
“Assim acontece para que fique comprovado 
que a fé que vocês têm, 
muito mais valiosa do que o ouro que perece, 
mesmo que refinado pelo fogo, 
é genuína e resultará em louvor, glória e honra, 
quando Jesus Cristo for revelado.”
1Pedro 1.7





E, de repente, o expediente termina.
De repente, a noite se engraça.
De repente, o corpo tomba sobre uma cama fresca
à meia-luz de um quarto solitário.
De repente, o travesseiro se torna um barco sozinho
na imensidão de um mar das lágrimas,
navegando a vastidão da alma.

De repente, um murmúrio, um suspiro,
uma paz que, agradável, sussurra o nome da esperança,
qual brisa suave pelos obscuros caminhos do coração.
De repente, os olhos cansados se fecham,
e os Céus, qual cobertor, se desenrola sobre o leito,
acolhendo, aquecendo, velando com terno amor
a vida que se entrega em oração,
e ainda que chorando, em intempéries chora, e humilde agradece,
até que, de repente, adormece.

...

E, de repente, outro dia nasce, outro sol brilha, outros pássaros cantam.
De repente, a dor ainda se vê, sentada aos pés da cama,
esperando o momento de saudar-nos com um abraço apertado.
Mas, de repente, a escolha chama, e a certeza vem,
que ainda que tudo nos decepcione,
podemos escolher continuarmos bem.
Podemos escolher suportar,
e seguros na mão divina continuar
a via dolorosa de caminhar mais uma milha
ao lado de Quem escolheu perder Sua própria vida,
para que pudéssemos escolher não desistirmos da nossa.

E, de repente, outra grande decepção,
outra grande perda, outra acusação, outra grande incerteza.
De repente, outro pavor terrível se chega,
com intenção de engessar a fé que ainda fumega.
Mas, de repente, os olhos se elevam,
e um canto, de repente, revalida a canção:
“Os mais belos hinos e poesias / foram escritos em tribulação,
e dos Céus as lindas melodias / se ouviram na escuridão.”(*)

Então, de repente, a dor é transposta,
e o semblante caído novamente se ergue.
A graça encima-se firmando-nos os passos.
E, de repente, a vida prossegue...



(*) Hino 126 da Harpa Cristã.