domingo, 8 de dezembro de 2013

Espelhos do Evangelho


Imagem: Disponível na Internet.


“Então, no devido tempo, enviarei chuva sobre a sua terra,
chuva de outono e de primavera, para que vocês recolham o seu cereal,
e tenham vinho novo e azeite.”
Deuteronômios 11:14


Nessa madrugada, acordem do sono com o som da chuva...
Intensa, límpida, fecunda, magnificamente bela.

O ímpeto de fechar a janela do quarto veio primeiro, mas foi logo barrado quando meus olhos ficaram bem diante daquela cena encantadora, o aguaceiro despencando incontidamente do céu. E em vez de terminar o fechamento da janela, fiquei olhando a chuva na madrugada...

Existe algo na chuva que me causa fascínio. Na verdade, são lições preciosas, dessas que a vida reserva pra gente nas coisas mais simples do nosso dia.

O fato de a chuva ser imparcial, embora tão perfeita e soberana como só ela consegue ser, reforça a palavra de Jesus, que nos ensina a não fazermos acepção de pessoas, por piores que elas pareçam ser [1]. A chuva não nega suas águas aos pobres, nem aos que julgamos serem mais pecadores que nós. Aliás, a chuva não julga, simplesmente se permite servir e abençoar [2]

De outra sorte, essa mesma imparcialidade da chuva lembra-nos a justiça e a bondade de Deus, que não nega Sua graça a ninguém, e a todos – bons e maus – concede a oportunidade de escolher o perdão e a salvação de Jesus [3].

Existe também algo encantador em cada pingo da chuva. Eles são breves, sua vida é curta, mas a intensidade da sua existência deixa uma marca eterna no coração de quem tem sensibilidade. Lembram aos filhos de Deus que eles são sal, são luzes, são astros iluminados em meio a uma geração corrompida, e capacitados por Deus a fazerem a diferença na sua geração [4].

A determinação com que essas águas se lançam sobre o mundo é um exemplo – ou, antes, são milhares de milhares de exemplos – da obediência e firmeza com que deveríamos nos lançar na vontade do Senhor para nós. [5]

Essa obstinação em cumprir seu destino, ainda que seja necessário morrer, sacrificar-se, para cumprir o bem que Deus já instituiu em nosso coração [6]. Vemos isso nas gotas de chuva que precipitam-se céu abaixo, e vêm irrigar plantações, encher leitos e açudes, dar crescimento às matas e florestas, brincar com as flores do jardim. Vemos isso em alguns seres humanos fantásticos que já pisaram sobre a terra. E podemos viver isso também.

Chuva é sempre uma bênção, que encanta os românticos e provoca suspiros nos apaixonados. Quem dera aprendêssemos com ela a provocar louvores a Deus nas outras pessoas através das nossas vidas! [7]

A pressa dessas pessoas em fechar suas janelas para nós seria bem mais lenta, e em vez de se escandalizarem com nossa postura muitas vezes contraditória ao Evangelho que pregamos com os lábios, as pessoas se alegrariam em Deus por meio das nossas atitudes, espelhos do Evangelho que de fato nós vivemos.


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[1] Tiago 2:1-10
[2] Tiago 4:11-12; João 7:24
[3] Mateus 5:43-48
[4] Filipenses 2:14-16
[5] Salmos 37:3-7
[6] Atos 20:24
[7] Mateus 5:13-16