sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Super-heróis...



By Elaine Cândida, com imagens disponíveis na Internet.


“...Então, o homem se vai para o seu lar eterno...”
Eclesiastes 12:5


Quando alguém como Mandela se vai, inevitavelmente deixa um vazio. A sensação em quem fica é que um gigante foi embora, que uma muralha foi removida, que um imenso mar secou-se.

Gente como Mandela, com todos os seus defeitos e limitações, constrange impérios malignos, incomoda nações inteiras, provoca reviravoltas no mundo. A história é redimensionada, sociedades inteiras são transformadas, sistemas imponentes de valores tradicionalmente repassados de geração em geração são questionados, são revistos, são reformados.

Gente como Mandela, impressiona por sua sensatez, encanta por sua persistência, contagia pelo seu otimismo. Não se permite subjugar pela oposição da maioria, não vende seu caráter, nem negocia seu sonho. Não passa pela vida sem um ideal, e a paixão e inteligência com que luta para realizá-lo faz com que sua influência permaneça em voga, mesmo na sua ausência.

Quando alguém como Mandela se vai, é como se uma luz se apagasse no mundo. Mas uma luz que, enquanto teve tempo, multiplicou-se incontavelmente pela terra e deixou iluminados caminhos que condizem com aqueles de paz que o Divino Mestre Jesus desbravou para nós.

A presença de Mandela, dentre tantos outros seres humanos incríveis e tementes a Deus, faz-nos acreditar outra vez que ainda é possível ser bom, fazer o bem, pensar no outro mais que em nós mesmos. Esse líder paciente, de sorriso sofrido e olhar expressivo provou, por sua história impressionante de luta, privações e obstinação, que amar o próximo não é só uma questão de ordenança bíblica, mas de realização existencial.

Deus institui esses líderes de tempos em tempos, para inspirar o mundo a permanecer agindo com a certeza que o bem sempre vale à pena, mesmo que a consequência dessa escolha seja viver 27 anos enclausurados numa prisão. O legado que fica, reformula conceitos, amplia possibilidades, modifica destinos.

Não creio, contudo, que Mandela não tenha chorado diante das negativas que recebeu, não tenha sentido tristeza na solidão da penitenciária, não tenha reclamado de alguma perda ou privação, não tenha se culpado em algum momento pelas constantes mortes de inocentes que o apoiavam na luta pela liberdade do seu povo. Não creio que ele nunca tenha sido acordado pela manhã com a depressão bafejando em seu pescoço, lhe convidando a desistir de tudo.

Assim como Paulo, como Estêvão, como João, antes de ser um mártir, Mandela foi um ser humano. E isso é o que mais impressiona no curso da humanidade: Nossos heróis reais são pessoas comuns, que transforam limitações em histórias de superação, e com as suas imperfeições tematizaram uma canção entoada todos os dias, de modo à jamais esquecerem que a maior honra do ser humano está em servir.