sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Inveja, a podridão para os ossos...


Imagem: Disponível na Internet.


“Também vi eu que todo o trabalho, e toda a destreza em obras,
traz ao homem a inveja do seu próximo.
Também isto é vaidade e aflição de espírito.
Eclesiastes 4.4


Sem dúvidas que a internet é um instrumento revolucionário no mundo, carregado de utilidades mas, também de futilidades paralelamente. Não desprezando sua indiscutível importância e contribuição social para o nosso tempo, por um lado, a internet também é, por outro, um universo onde tudo o que não presta é compartilhado, qualquer besteira vira verdade fidedigna, e qualquer pateta vira estrela.

E foi servindo-me dessa tecnologia para uma pesquisa nesta manhã sobre inveja, que me deparei com o seguinte clichê: “Sua inveja faz a minha fama.” Honestamente, essa é uma das coisas mais tolas que já ouvi um cristão dizer.

Segundo a Bíblia, o livro de regras da fé e prática cristã, invejosos não herdarão o reino de Deus [1]. Instigar alguém a ser um invejoso é, no mínimo, desejar que este alguém fique fora da salvação de Cristo. E este tipo de sentimento – o desafeto, a intolerância – não condiz com o caráter de alguém que conhece a Jesus, que experimentou o Seu amor e salvação, que tem um coração grato a Ele por isso, e que traz em sua alma o amor pelo próximo como expressão de louvor e gratidão a Deus por toda a graça que Ele tem derramado sobre nós, embora jamais a merecêssemos.

É certo que a inveja, como a própria Bíblia nos explica, “é podridão para os ossos” [2]. Mas a maneira de tratarmos um invejoso não é incentivando-o a permanecer nas suas práticas abomináveis, e sim, intercedermos por ele em oração e, quando possível, o aconselharmos, de forma a que a graça do Eterno também lhe alcance, transforme e salve.

A inveja é um mal que anda nos corações da maioria das pessoas com plena liberdade, por mais que essas pessoas tentem, com palavras e boas obras, convencer outras sobre o seu amor e bondade. Contudo, suas reações diante das conquistas de outras pessoas, principalmente de pessoas do seu convívio social, demonstram o quanto seu coração – aquele que poderia ser uma bela lavoura de frutos excelentes – está danificado pela raposinha da inveja. São comportamentos que não se moldam à luz de 1Coríntios 13, para quem “...o amor não é invejoso [...], não busca seus interesses.” [3]

Em Hebreus 13, a Palavra de Deus nos instrui: “Seja a vossa vida isenta de ganância, contentando-vos com o que tendes; porque Ele mesmo disse: Não te deixarei, nem te desampararei”[4]. Pelos princípios contidos nesse versículo somente já percebemos a malignidade que há na inveja e o quanto ela é danosa e ofensiva.

“Seja a vossa vida isenta de ganância contentando-vos com o que tendes [...]”. A inveja no coração de alguém ofende quem é invejado, pois trata-se de uma declaração abominável de egoísmo, em que os interesses e benefícios próprios do invejoso são mais importantes que as alegrias e conquistas do outro. É uma contradição incrível aos princípios contidos nos ensinamentos de Cristo, em que o Mestre expressamente declara: “Quanto mais humilde for o serviço de vocês aos outros, maiores você serão. Para ser o maior de todos, é preciso ser servo” [5]. Por esse direcionamento, o homem não deve ser ganancioso, desejar tudo que há de bom somente para si, mas, antes, dar preferência ao seu próximo. Não almejar ser o melhor em tudo, nem possuir ou estar acima dos demais. Ao contrário: Deve desejar e agir sinceramente pelo sucesso do seu próximo, pela sua satisfação e realização, esperando que sua própria exaltação e louvor venha do Senhor, pois, como bem escreveu Paulo aos romanos,

vocês, na realidade, não são judeus só porque nasceram de pais judeus ou porque passaram pela cerimônia da circuncisão para serem admitidos ao judaísmo. Não, judeu verdadeiro é qualquer um cujo coração esteja direito com Deus. Deus não procura aqueles que cortam seu corpo através da circuncisão física real, mas procura aqueles cujos corações e mentes foram mudados. Qualquer um que tiver esse tipo de mudança em sua vida receberá o louvor de Deus, mesmo se não o receber de vocês. [6]

“[...] Contentando-vos com o que tendes; porque Ele mesmo disse: Não te deixarei, nem te desampararei.” A inveja no coração de alguém ofende não somente ao próximo, mas principalmente ao Senhor, pois é uma declaração abominável que Deus não é o Senhor da sua vida e não detém o controle de todas as coisas. Dessa forma, o invejoso vive amargurado, insatisfeito, infeliz, incapaz de se alegrar com a alegria de outra pessoa [7].

Não queremos, contudo, sustentar que alguém não deva desejar melhorar de vida. Ao contrário: Deus nos concedeu todas as condições que precisamos para nos esforçarmos e crescermos. Porém, isso deve ser feito sob a dependência do próprio Deus e da Sua vontade, respeitando o Seu tempo e com gratidão por tudo o que até aqui Dele recebemos, uma veze que, mesmo parecendo-nos pouco aquilo que temos, isso é precisamente tudo o que precisamos.

A inveja é um pecado, e só demonstra que ainda estamos sendo controlados pelos nossos próprios desejos [8]. Ela nos conduz a focarmos nossos interesses exclusivamente em nós mesmos, em detrimento da vontade perfeita, boa e agradável [9] de Deus, ou do benefício do nosso próximo, causando inclusive dissenção, inimizade, ira e tristeza de muitos. Por isso, Tiago alerta: “Não se gabem de serem sábios e bons se vocês forem amargados, invejosos e egoístas; esse é o pior tipo de mentira. Porque a inveja e o egoísmo não são a espécie de sabedoria de Deus. Estas coisas são terrenas, materiais, inspiradas pelo diabo.” [10]

Por fim, àquele que é vítima da inveja de outrem, não convém pagar mal com mal, provocar a ira do seu semelhante. Ao contrário, uma forma excelente de vencer a inveja é plantar uma semente de amor no coração do invejoso, almejando e contribuindo para o sucesso de quem quer lhe ver sempre por baixo. É a própria Bíblia quem nos ensina: “Se o teu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele. Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem” [11]. Em outras palavras, pela nossa resposta de amor e misericórdia para com um ofensor, um fogo ardente arderá em sua consciência quando receber de nós o bem.

Não se iludam; lembrem-se de que vocês não podem desprezar a Deus e escapar: Um homem sempre colherá justamente o produto da semente que ele plantou! Se ele plantar a fim de agradar aos seus próprios desejos maus, estará plantando as sementes do mal e logicamente fará uma colheita de ruína espiritual e morte; mas se plantar as coisas boas do Espírito, ele colherá a vida eterna que o Espírito Santo lhe dá. E não nos cansemos de fazer o que é correto, porque em pouco tempo teremos uma colheita de bênção, se não desanimarmos nem desistirmos. É por isso que, tanto quanto pudermos, devemos sempre ser bondosos com todos, e especialmente com os nossos irmãos cristãos. [12]

O livro de Daniel nos conta como este servo de Deus venceu a inveja com uma postura justa, de oração e confiança em Deus. Ele não narra sobre desejos vingativos de Daniel nem sobre desprezo seu para com os homens que lhe causaram tanto mal em nome da inveja que tinham [Leia Daniel 6]. Se nos foi revelado esse livro, é porque precisamos saber como lidar com isso também.

Portanto, não sejamos invejosos em nada nem desejemos mal àqueles que nos invejam. Inspiremo-nos nos grandes exemplos de quem viu a glória de Deus de perto e caminhou (caminha) à Sua luz de forma confiante, obediente e santa.



[1] Gálatas 5.21 – Almeida Corrigida Revisada Fiel
[2] Provérbios 14.30 – Almeida Corrigida Revisada Fiel
[3] 1Coríntios 13:4-5 – Almeida Corrigida Revisada Fiel
[4] Hebreus 13:5 – Almeida Revisada Imprensa Bíblica
[5] Mateus 23.11 – Viva
[6] Romanos 2:28-29 – Viva
[7] Romanos 12.15
[8] 1Coríntios 3.3
[9] Romanos 12.2
[10] Tiago 3:14-15 – Viva
[11] Romanos 12:20-21 – Nova Versão Internacional
[12] Gálatas 6:7-10 – Viva