sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Nossos nomes na Bíblia


Imagem: Disponível na Internet.


Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da lei, a fim de redimir os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vocês são filhos, Deus enviou o Espírito de Seu Filho aos seus corações, o qual clama: “Aba, Pai”. Assim, você já não é mais escravo, mas filho; e, por ser filho, Deus também o tornou herdeiro.”
Gálatas 4:4-7


Quando o povo judeu foi levado cativo ao Egito, este país era considerado o ápice da cultura secular, o cerne do mundo civilizado. O cativeiro judaico durou mais de dois séculos, e mesmo assim os judeus não perderam sua identidade enquanto nação. Os estudiosos e também os velhos sábios desse povo explicam que tal superação deu-se porque os hebreus insistiram em manter sua identidade a todo custo, pelo menos em três grandes aspectos: Conservaram seu próprio idioma (o hebraico), guardaram a tradição nas vestes e conservaram seus nomes judaicos.

Segundo a crença judaica, os pais são divinamente inspirados para escolherem um nome para seus filhos. Portanto, não importa qual será o nome, ele certamente será o mais adequado para a criança. Para os judeus, o nome da pessoa é a representação de um elo entre aquela criança e os mais espirituais do seu povo, de forma que aqueles encontrados na Torá ou no Talmud são os mais utilizados.

Contudo, é tradição entre os judeus o costume de dar à criança o nome de um parente próximo já falecido, cuja vida inspirou a todos, e cujas qualidades os pais gostariam de ver renascidas e emuladas por seus filhos. Uma variante dessa tradição, é homenagear os avós ou outro parente vivo, colocando os seus nomes nos filhos. E outra variante é dar aos filhos nomes que interpretem momentos vividos pela nação ou pela família, como foi, por exemplo, com Icabod, (“A glória se foi de Israel!”, pois a arca de Deus foi tomada da nação israelita – 1Samuel 4:19-22), e com Jacó (“Aquele que segura pelo calcanhar...”, pois nasceu segurando o calcanhar do seu irmão gêmeo, Esaú – Gênesis 25:26).

Aqui no Ocidente, os motivos que dão origem aos nomes dos filhos são os mais diversos, e essa cultura de não espiritualizarmos tanto os nome das pessoas, produz nomes de todo tipo, desde aqueles que são sinônimos de grandes virtudes, àqueles que são meramente a junção de partes de dois nomes diferentes, sem produzir nenhum significado; desde aqueles que possuem uma história de grande valor para a família, até aqueles que são, simplesmente, nomes de frutas; desde aqueles que fogem completamente da nossa língua – embora sejam precedidos de sobrenomes autenticamente brasileiros –, até aqueles que não passam de meras brincadeiras ou rixas entre os pais.

O fato é que, de modo geral, nós não somos tão rigorosos como os judeus na escolha dos nomes dos filhos. E também não somos tão atrelados à nossa árvore genealógica. Os judeus, porém, são. E muito. E Deus Se aproveitou disso para inspirá-los a escrever algumas genealogias na Bíblia, necessárias para compreendermos o contexto histórico e também as entrelinhas reveladas pelo Espírito.

Mas só depois de alguns anos de experiências diárias com Deus, e também depois de um pouco mais de intimidade com a Bíblia, é que a gente para de pular as genealogias quando nas nossas leituras bíblicas diárias, e começa a valorizar até cada ponto e cada vírgula que ali estão impressos.

E foi numa dessas leituras atentas que, recentemente, descobri que nossos nomes estão escritos na Bíblia. Todos eles, sem exceção. Os nomes de todos os filhos de Deus, num quase infindo rol que perpassa as eras e engloba todos os salvos no conteúdo de uma única palavra: “Nos”.

Não “nós”, a primeira pessoa do plural dos pronomes pessoais retos, mas “nos”, assim mesmo, sem acento. Pronome pessoal também, mas trata-se da primeira pessoa do plural do caso oblíquo. Em síntese, na linguística, os pronomes são palavras que podem acompanhar ou representar substantivos variados, situando as pessoas do discurso no espaço e no tempo. Neste caso, "nos" está substituindo os nossos nomes na Bíblia, todos eles.

Escrever na Bíblia, literalmente, os nomes de todas as pessoas que viverão a eternidade com Deus seria, por um lado, facilitar demais a salvação e, por outro lado, dificultá-la demais. Seria também quase impossível fazer isso, pois quanto papel e tinta seriam necessários... E quantas revelações divinas!

Então, Deus simplificou tudo e inspirou Seus santos a escreverem dois trechos tão significantes como os que vemos a seguir:

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Conforme a Sua grande misericórdia, Ele nos regenerou para uma esperança viva, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança que jamais poderá perecer, macular-se ou perder o seu valor. Herança guardada nos céus para vocês que, mediante a fé, são protegidos pelo poder de Deus até chegar a salvação prestes a ser revelada no último tempo” (1Pedro 1:3-5).

“Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu: Que fôssemos chamados filhos de Deus, o que de fato somos! Por isso o mundo não nos conhece, porque não O conheceu. Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser, mas sabemos que, quando Ele Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, pois O veremos como Ele é” (1João 3:1-2).

Nossos nomes não aparecem literalmente escritos nas genealogias bíblicas, mas constam no rol dos salvos, isto é, dos que receberam Jesus Cristo em seus corações, e creram no Seu nome, e foram feitos filhos de Deus, “os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus” (João 1:11-12).

Sem jamais menosprezar os pais físicos, quanta honra nós temos em ter um Pai espiritual, o Senhor! Quanta honra há em saber que somos Seus filhos e que, embora nossos nomes não estejam citados literalmente na Bíblia ou mesmo em qualquer outro livro genealógico, eles compõem um rol de milhares de milhares que estão escritos no Livro da Vida (Apocalipse 5:11). E a Palavra de Deus nos lembra disso através de um pronome.

Contudo vale lembrar que pronomes pessoais oblíquos, numa frase, complementam verbos ou nomes. Não completam verbos ou nomes. Complementar é diferente de completar. Neste caso – completar – algo está faltando e deve ser acrescentado. Já naquele caso – complementar – algo será acrescido ao que já está completo.

A obra completa da salvação foi realizada por Jesus Cristo, sozinho, sem nossa ajuda, e assim assumida por Ele pela conhecida e significativa declaração da cruz: “Está consumado!” (João 19:30). Ele era a única pessoa que poderia realizá-la, e o fez de forma completa. Nada ficou por fazer.

O que nos inclui nesse projeto glorioso é a nossa atitude de aceitarmos essa obra de absolvição em nossas vidas. Nossa decisão é o complemento. Se nós não valorizamos a morte do Senhor em nosso lugar, e se nós não aceitamos Sua redenção para nossas vidas e vivemos como pessoas livres da condenação eterna, ainda assim a obra de Jesus está completa, foi realizada, mas nós não poderemos gozar os benefícios eternos que ela nos trouxe. Nossa decisão não alterará o Seu trabalho. É como se fôssemos a calda de chocolate sobre o bolo de cenouras. Sem calda, o bolo ainda existe e se mantém bolo de cenouras sem nenhuma alteração. A diferença é que o bolo ainda poderá ser comido por quem quiser, mas a salvação só pode ser conseguida através de Jesus Cristo.

Portanto, existe um critério para que nossos nomes constem entre os filhos de Deus indicados na Bíblia: “Nos” somente fará referência a mim também, se eu estiver dentre os demais filhos de Deus. Se eu, isto é, a primeira pessoa do singular, não fizer parte do grupo a quem o verbo ou nome se refere, então, o pronome correto será “eles” e não “nós”; no nosso caso, será “lhes” e não “nos”.

Releia os trechos bíblicos novamente, e perceba a diferença:

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Conforme a Sua grande misericórdia, Ele lhes regenerou para uma esperança viva, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança que jamais poderá perecer, macular-se ou perder o seu valor. Herança guardada nos céus para eles que, mediante a fé, são protegidos pelo poder de Deus até chegar a salvação prestes a ser revelada no último tempo” (1Pedro 1:3-5).

“Vejam como é grande o amor que o Pai lhes concedeu: Que fossem chamados filhos de Deus, o que de fato são! Por isso o mundo não lhes conhece, porque não O conheceu. Amados, agora são filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que hão de ser, mas sabemos que, quando Ele Se manifestar, serão semelhantes a Ele, pois O verão como Ele é” (1João 3:1-2).

Os dois textos foram modificados propositalmente para situar-nos fora deles, somente a título de simples reflexão. Creio que soou estranha a sua leitura, indicando que você ainda não faz parte da salvação, assim como soou para mim também.

Ora, se apenas uma suposição momentânea já nos causa estranheza por não percebemos nosso nome entre os nomes dos salvos, imagine quão difícil será para o homem ouvir Jesus chamar pelos seus nomes todos os filhos do Reino e convidá-los a entrar para a Morada Eterna, e não ouvir o seu também...

Por isso, faça as escolhas certas e busque em Jesus auxílio para viver como um filho legítimo de Deus, renascido da água e do Espírito (João 3:3-6), de modo que o “nos” a que a Bíblia Se refere quanto aos salvos, esteja se referindo a você também.