quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O Guia no labirinto...


By Elaine Cândida, com imagem disponível na Internet.



“Descobre qualquer caminho errado e mau e orienta-me
para que eu ande sempre pelo caminho da vida eterna.”
Salmos 139:25 - Viva


Uma turista sozinha, perdida dentro de uma metrópole deserta. Foi assim que me senti ontem dentro de um tribunal, aqui em Brasília. Precisei me dirigir a um determinado setor para entregar um documento, e tive de percorrer um verdadeiro labirinto para chegar e voltar de lá.

Ocorre que o prédio é relativamente novo, e essa sede é simplesmente enorme. Os corredores são bastante espaçosos e as salas bem isoladas umas das outras. O Serviço Médico – lugar onde fui –, em especial, fica no andar térreo do prédio, mas não tem acesso pela entrada principal. É necessário pegar um elevador para o subsolo, atravessar todo o estacionamento interno, entrar em outro elevador e subir novamente para o térreo.

[Detalhe um: Como há várias entradas de vidro com elevadores no imenso subsolo do referido prédio, é necessário marcar bem de onde saímos e onde entramos, para conseguirmos voltar para lá depois. Detalhe dois: O primeiro elevador não desce ao subsolo. É necessário, na verdade, pegar um elevador do térreo (entrada) para o andar mezanino, depois dirigir-se a outro corredor e trocar de elevador para chegar ao subsolo do prédio e, só então, depois de cruzar o estacionamento interno, pegar o terceiro elevador para retornar ao andar térreo, do outro lado do edifício, onde não tem saída e onde fica o Serviço Médico... Estranho? Também acho. Mas quem é que ousa questionar essa arquitetura moderna, enigmática e labiríntica de Oscar Niemeyer?]

E o mais legal é que é uma raridade encontrar uma viva alma nos halls do subsolo e na garagem. Ninguém para informar onde ficava o bendito setor a que eu deveria ir. Pra melhorar a situação, antes de eu entrar no prédio, alguém tentou me informar como chegar ao Serviço Médico, porém, indicou uma direção errada para eu seguir lá no subsolo, após deixar o segundo elevador.

Uma plaquinha aqui, outra ali, mais uma acolá e, quando finalmente cheguei ao local almejado, já tinha lido pelo menos uma dúzia delas, e rodado até umas horas... Na volta pensei que seria mais fácil, pois havia um homem muito educado comigo no elevador que, gentilmente, tentou me explicar onde estava o hall de vidro em que eu deveria entrar (aquele, de onde eu saí, no subsolo). Mas mesmo em se tratando de um servidor que ali trabalhava, ele também se confundiu, e não me ajudou muito... Daí, sozinha, fui me virando novamente com as plaquinhas, até conseguir acessar a portaria e, finalmente, poder ver a chuva que caía nessa tarde lá fora.

Minha jornada inusitada e relativamente cômica à procura de uma sala dentro de um prédio muito grande, sem praticamente ninguém para me ajudar, me fez refletir sobre a jornada de muitas pessoas nesse mundo, à procura de felicidade e esperando a salvação, sozinhas e sem orientações precisas.

Por causa de instruções erradas, muita gente entra por caminhos terrivelmente maus, perigosos, destrutivos. Por causa de uma  sinalização precária para a eternidade (em tempos de evangelho superficial, vingativo e extremamente materialista), muita gente se desvia das coisas do alto e se apega às coisas terrenas, indo por uma direção totalmente contrária à Bíblia. Por causa da solidão na sua caminhada, muita gente faz decisões erradas, sofre grandes frustrações e, consequentemente, perde a esperança, a fé e, infelizmente, a salvação.

Há, porém, uma grande diferença aqui. O meu caso dentro daquele tribunal, trata-se de uma situação comum, certo modo até corriqueira, e sem dimensões eternas. Mas em se tratando de vidas perdidas sem Jesus, as consequências são muito dolorosas e os danos podem vir a ser irreversíveis.

Uma coisa quase sem importância é não ter um ser humano por perto que conheça o caminho para nos orientar dentro de um edifício. Mas uma coisa infinitamente prejudicial é não ter o Espírito Santo para nos orientar na vida. E o pior, é que Ele está por toda parte e esperando para fazer isso por nós. Nós é que comumente não Lhe procuramos.

No Salmo 119, o salmista declara: “A Tua Palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho” [1]. Essa Palavra de Deus, isto é, o texto divinamente pensado, estrategicamente escrito e propositalmente revelado na Bíblia, é lâmpada, é luz. É, para os homens, o que o Sol é para a Terra. Ela é a lanterna direcionando nossos passos rumo à eternidade com Deus, nesse imenso labirinto escuro e perigoso que se chama mundo.

Posso fazer outra comparação simples: Paralelas às pistas de pouso e decolagem nos aeroportos, estão fileiras com dezenas e dezenas de lâmpadas, as quais se acendem quando começa a escurecer, para demarcar o caminho que as aeronaves deverão percorrer ao decolar ou pousar. Quando ocorre de faltar luz nos aeroportos à noite, pelas normas de aviação, os aviões não podem ingressar nas pistas nem partir delas. Do contrário, acidentes terríveis podem ocorrer.

Tais como esse último exemplo, são as nossas vidas. Precisamos de uma luz especial para nos orientar a todo instante, porque o mundo, todo ele é um imenso breu, uma situação lamentável de escuridão, solidão e vazio, precisamente como um corpo que jaz numa cova. “O mundo jaz no maligno” [2], é o que a Bíblia nos conta. Contudo, para quem caminha com Jesus Cristo, há “vida, e vida com abundância” [3], a qual foi tirada “das trevas para a Sua maravilhosa luz” [4].

A luz que precisamos para saber o caminho que deve ser feito por nós, é a Palavra de Deus. Sua Verdade confronta nossa razão e aponta para um Céu onde os padrões humanos/mundanos não entram [5]. Quando nós não seguimos esse caminho iluminado, comumente vivenciamos experiências tristes, frustrantes, terrivelmente dolorosas, e não temos nenhum consolo ou esperança de conserto.

Uma vida dirigida pelo Espírito Santo de Deus, além de ser privada de muitas dessas angústias, sabe equilibrar-se em meio àqueles conflitos que são inevitáveis, mantém-se esperançosa, é confortada nas suas dores e sempre tem coisas boas compartilhar. É vida que caminha à luz do Senhor que afirmou: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.” [6]

Procurar felicidade em coisas passageiras, em pessoas falíveis, em prazeres breves, não nos leva a ela. Procuramos felicidade assim e encontramos frustrações. Muitas placas existem pelo caminho, apontando diferentes direções em busca da plena satisfação humana: Esquina do dinheiro, corredor do sexo, porta das titulações, sala das amizades, elevador do próprio ego, escada dos prestígios e honras. Mas todas as placas que não apontam para uma vida sob os cuidados de Deus estão iludindo as pessoas e sempre lhes fazem chegar a um lugar de dores e desespero.

Turistas em países estranhos, comumente, ou andam com alguém que lhes serve de guia turístico, ou andam levando consigo guias impressos, os quais contêm mapas, endereços importantes, telefones úteis, informações precisas sobre hotéis, restaurantes, pontos turísticos, transporte, etc. Sabendo que “não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura” [7], convém que, como o salmista, reconheçamos esta vida como um estágio curto e passageiro, e supliquemos a Deus: “Sou peregrino na terra; não escondas de mim os Teus mandamentos” [8], os quais são imprescindíveis para que tenhamos êxito em nossa caminhada rumo à vida que é eterna.

Era só a história de um prédio labiríntico no começo deste texto, para lembrar-nos sobre a história das nossas vidas no imenso labirinto que é o mundo e seus sistemas. Meu destino ali era a divisão de serviços médicos, mas o nosso é a eternidade. Que nós possamos chegar a ele orientados pelo Espírito Santo e pela Sua Palavra. Ela é a bússola que não se quebra. Ele é o guia que jamais erra a direção.

E só assim nós chegaremos seguros e tranquilos à nossa eterna casa.



_____________________________
[1] Salmo 119:105 – NVI
[2] 1João 5:19 – ACRF
[3] João 10:10 – ACRF
[4] 1Pedro 2:9 – ACRF
[5] Salmos 115; Mateus 7:13, 14
[6] João 8:12 – ACRF
[7] Hebreus 13:14 – ACRF
[8] Salmos 119:19 – ACRF