quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O que vocês estão ouvindo e vendo...


Imagem: Jesus, our Saviour, disponível na Internet.



Depois que terminou de instruir Seus doze discípulos, Jesus saiu para ensinar e pregar nas cidades da Galileia. João, ao ouvir na prisão o que Cristo estava fazendo, enviou seus discípulos para Lhe perguntarem: "És Tu Aquele que haveria de vir ou devemos esperar algum outro?" Jesus respondeu: "Voltem e anunciem a João o que vocês estão ouvindo e vendo: Os cegos vêem, os mancos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e as boas novas são pregadas aos pobres; e feliz é aquele que não se escandaliza por Minha causa".
Mateus 11:1-6


Final de ano, uma certa melancolia toma conta dos corações das pessoas, principalmente daquelas que sofreram frustrações no decorrer dele. Entra o ano novo e, por causa disso, nem todo mundo começa esse novo tempo cheio de esperança. Há pessoas que preferem ver o réveillon apenas como mais uma festa popular, não como o término de um ciclo e o começo de outro.

De fato, o calendário não pode influenciar o curso das coisas nem propor grandes mudanças em muitas situações. Importa, porém, não perdermos a esperança de que nossas vidas terão um rumo certo e, no momento mais favorável, ameaças se transformarão em oportunidades, sacrifícios em aprazimentos, tristezas em alegrias.

E importa ainda mais termos plena consciência que isso será perfeitamente possível e certo, se Jesus Cristo for o Senhor das nossas vidas. Não pelo compromisso de participarmos de uma Igreja – embora isso seja importante e bíblico –, nem apenas por influências, modismos, interesses pessoais, ou por uma crença superficial e mística. Não. O senhorio de Cristo sobre nós traz-nos Sua presença, Seu cuidado e Sua direção, desde o momento em que despertamos do sono pela manhã até o momento em que voltamos a dormir à noite, outra vez. E durante o tempo em que nós dormimos, o Senhor guarda o nosso sono e faz-nos descansar em paz, enquanto programa um novo dia lindo, santo e cheio de novas surpresas – grandes e pequenas, ou só estas ou só aquelas – para Seus amados, outra vez. [Salmos 3:5; 4:8]

A presença de Jesus em nossas vidas é tão intensa, que mesmo quando nossos olhos não enxergam o agir do Senhor, podemos ter segurança em acreditar que Seus livramentos e benefícios estão chegando até nós, por mais ocultos e improváveis que pareçam. Não fosse assim, nenhum de nós teria chegado até aqui. Nossas próprias forças e conhecimentos jamais poderiam, sozinhos, vencer o mal que tenta destruir nossas almas, enterrar nossa esperança, nos fazer desistir da vida. [Efésios 4:11-13]

João Batista, o primo de Jesus, por um instante questionou toda aquela certeza que o alimentou e conduziu por toda a sua vida. A certeza que lhe fez enfrentar os desertos, alimentar-se de mel silvestre e gafanhotos [Marcos 1:6], anunciar a chegada do Cristo, convocar pecadores ao arrependimento, denunciar autoridades corruptas destemidamente. A mesma certeza que fez-lhe proferir as seguintes palavras acerca de Jesus: “ Eu vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre Ele. E eu não O conhecia, mas O que me mandou a batizar com água, esse me disse: ‘Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre Ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo’. E eu vi, e tenho testificado que este é o Filho de Deus.” [João 1:32-34]

Quando às portas da morte, João mandou perguntar a Jesus: “És Tu Aquele que haveria de vir ou devemos esperar algum outro?” [Mateus 11:3]. Assim como ocorre comigo e com você, João trepidou em suas certezas diante de infortúnios. (Honestamente, se João Batista, o precursor de Jesus, testemunha ocular da confirmação de Deus sobre Jesus acerca da Sua divina santidade e glória, questionou o Senhor, não consigo encontrar nenhuma base nas teorias infundadas dos “supercrentes” do nosso tempo, que discursam sobre uma fé intrépida, indesviável, acima de qualquer suspeita e até mesmo acima da própria Palavra de Deus, que bem enfatizou: “Acaso Deus não fará justiça aos Seus escolhidos, que clamam a Ele dia e noite? Continuará fazendo-os esperar? Eu lhes digo: Ele lhes fará justiça, e depressa. Contudo, quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra?” [Lucas 18:7-8])

O Espírito pousou sobre Jesus e repousou [João 1:33]. Não foi embora logo. Jesus não era mais um profeta cheio do Espírito Santo à serviço do Reino, como foi Noé, Moisés, Gideão, o próprio Paulo. Jesus era o Senhor dos Céus encarnado na terra, e João foi testemunha ocular disso, mas quando se esqueceu por um momento que o Espírito repousou Nele, pensou na possibilidade de outra pessoa superior a Ele ainda estar para chegar.

E não hesito em lembrar que nós também agimos assim. Muitas vezes, nossa esperança e nossas certezas desfalecem porque deixamos de olhar para o Senhor de todas as circunstâncias e damos mais ênfase a estas. Buscamos em pessoas e coisas o que somente Jesus pode nos dar. Esperamos de quem recebeu o toque do Espírito a graça, os favores que só Jesus, Aquele em quem o Espírito pousou e repousou sobre, pode fazer por nós.

Contudo, voltemos à resposta do Senhor a João Batista, que foi muito interessante, isto é, inesperada e, ao mesmo tempo, simetricamente racional. Jesus não respondeu que Ele era ou que Ele não era o Filho de Deus. Antes, induziu João a tirar suas próprias conclusões: “Voltem e anunciem a João o que vocês estão ouvindo e vendo: Os cegos vêem, os mancos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e as boas novas são pregadas aos pobres; e feliz é aquele que não se escandaliza por Minha causa”. [Mateus 11:4-6]

É a mesma palavra que ecoa da boca do Senhor diante das nossas dúvidas quanto ao Seu caráter, aos Seus atributos e à Sua fidelidade: Não concluamos nada sobre o Senhor baseando-nos em nossas suspeitas, ou incertezas. Tampouco o façamos por simplesmente ouvirmos belos discursos sobre Ele. Antes, olhemos atrás e ao redor, e só então tiremos nossas conclusões a Seu respeito através dos fatos: Quem nós éramos e o que somos agora?   O que tínhamos de ruim em nós e fomos libertos, e o que não tínhamos de bom e passamos a ter? Quais sentimentos ocupavam nossos corações e que tipos de pensamentos guiavam nossos passos? O que é que nos conduz agora? E que sentimentos ardem dentro de nós neste momento? O que seríamos se o Senhor não tivesse nos encontrado? Onde nós estaríamos hoje?...

Olhemos para os sinais, olhe para os milagres que Ele já realizou. Talvez muitos deles ainda não tenham se confirmado em nós, mas certamente há alguém ao nosso redor que está carregado deles, e tem uma vida transformada, liberta, santificada, porque já caminha em comunhão com o Senhor e tem sua fé fundada nos princípios eternos de Deus. Prestarmos atenção nos testemunhos de nossos irmãos é um jeito excepcional de renovarmos nossa fé em dias de imperiosa ingratidão e cegueira espiritual.

Jesus queria que João Batista fizesse um pouco desse exercício e concluísse sua missão na terra com a certeza que sua recompensa seria o Céu, exatamente como Deus lhe havia falado e Jesus lhe havia mostrado. Certamente, tudo o que uma parte de nós precisa para ser feliz e prosseguir em esperança neste novo ano que já começou é fazer o mesmo.

Por isso, “conta as bênçãos, conta quantas são, / Recebidas da Divina mão. / Uma a uma, dize-as de uma vez! / Hás de ver surpreso quanto Deus já vez.”

Que Deus revigore sua esperança, e que seu ano novo seja lindo e santo.



Autoria: Johnson Oatman, Jr. (1856-1926) e Edwin Othello Excell (1851-1921)