terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Sempre alerta!


Imagem: Disponível na Internet.


“O Protetor de Israel não dormirá; Ele está sempre alerta!”
Salmo 121:4


Dentre todos os incríveis atributos de Deus, Ele tem uma característica fascinante que costumamos perder de vista quando o sono e o cansaço se tornam mais fortes que nossa vontade de continuar. É o fato que “o Protetor de Israel não dormirá; Ele está sempre alerta!” [1]

Sempre que penso nesse verso dos Salmos, vibro por dentro de mim de satisfação de ter um Deus assim comandando minha vida. Saber que alguém como Deus, com toda Sua grandeza e imponência, majestade e formosura, pureza e santidade, perfeição e glória, dispensa o Seu precioso tempo cuidando do universo e olhando pra mim, atento a todos os eventos da minha vida, dos mais intensos aos mais insignificantes, carregando estes de importância e por meio daqueles evidenciando Seu poder, é mesmo uma graça imensurável.

O fato de sabermos que Ele não dorme nos dá toda segurança para dormirmos tranquilos. O fato de sabermos que Ele mantém Seu cuidado sobre nós faz toda a diferença no momento das nossas escolhas, as quais precisam estar em consonância com a Sua direção. O fato de tê-Lo sempre alerta nos dá a certeza que piores coisas poderiam ter acontecido em (ou com) nossas vidas, mas Seus livramentos continuam ocorrendo onde vemos e também onde não podemos ver.

Mas não é sempre que essas certezas vigoram em nossos corações. Há situações que afugentam quase que totalmente a nossa fé. Há momentos, em que rompermos os limites da nossa razão e questionarmos Deus é mais fácil que olharmos para trás e contemplarmos quanto Ele já fez em nosso favor até aqui. Há momentos em que renunciarmos nossas promessas de fidelidade ao Senhor e abrirmos nossos lábios para murmurar parece fazer muito mais sentido que entoar mais um louvor Àquele que, independente de qualquer circunstância, continua sendo Deus e, portanto, continua sendo digno.

Mas o salmista nos ensina um gesto tremendo que, embora aparentemente simples, pode ser a diferença entre se desesperar e abraçar a paz, entre duvidar e crer, entre parar e prosseguir. Leiamos sua atitude pausadamente: “Levanto meus olhos para os montes e pergunto: ‘De onde me vem o socorro?’ O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra.” [2]

Olhar para baixo, oprime. Tudo o que podemos ver são sorrisos e zombarias das hostes malignas, contando com nossa desistência. Olhar para os lados, desmotiva. Tudo o que podemos ver são circunstâncias adversas muitas vezes intransponíveis, e uma plateia de descrentes aguardando a nossa queda. Olhar para frente desespera. Tudo o que podemos ver é um caminho longo ainda por ser percorrido, e não temos mais certeza sobre até onde nossas forças suportarão.

Mas olhar para cima, para além dos montes, revigora. Tudo o que podemos encontrar são os olhos do Altíssimo iluminando-nos nas trevas, aquecendo-nos na noite escura e fria, acompanhando-nos na solidão dessa noite, observando atentamente os obstáculos no caminho e orientando nossos passos, guardando e livrando os Seus amados: “O Senhor firma os passos de um homem, quando a conduta deste O agrada. Ainda que tropece, não cairá, pois o Senhor o toma pela mão” [3]. “Levanto meus olhos...”. Os montes estão à frente, impedindo a visão dos olhos dos filhos de Deus, mas não podem impedir a visão dos seus corações: “O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra.”

Vem do Senhor, não de qualquer deus. Vem Daquele que fez os céus e a terra. Vem do Senhor, não de uma pessoa. Vem Daquele “que é eterno, o Criador de toda a terra. Ele não Se cansa nem fica exausto; Sua sabedoria é insondável” [4]. Vem do Senhor, não das coisas que não podem preencher o vazio em nosso interior nem repor nosso ânimo. “Ele fortalece o cansado e dá grande vigor ao que está sem forças. [...] Os que esperam no Senhor renovam as suas forças. Voam alto como águias; correm e não ficam exaustos, andam e não se cansam”[5].

A certeza da Sua presença e do Seu cuidado é imprescindível, mas muitas vezes renunciada. Contudo, porque Deus está sempre alerta, nosso sono é mais tranquilo: “Eu me deito e durmo, e torno a acordar, porque é o Senhor que me sustém. Não me assustam os milhares que me cercam” [7]. Porque Ele está sempre alerta, nossa espera é menos dolorosa: “Tu, Senhor, guardará em perfeita paz aquele cujo propósito está firme, porque em Ti confia. Confiem para sempre no Senhor, pois o Senhor, somente o Senhor é a Rocha Eterna” [8]. Porque Deus está sempre alerta, nossa dor é suportável. “Não sobreveio a vocês tentação que não fosse comum aos homens. E Deus é fiel; Ele não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar. Mas, quando forem tentados, Ele mesmo providenciará um escape, para que o possam suportar.” [9]

E mesmo se, depois de recordarmos todas essas coisas (outra vez), a nossa fé diante das nossas angústias insista em se inclinar ao desespero, mudemos a questão já de muito superada pela graça que nos lembra: Bem mais importante que o tamanho da nossa fé, é o tamanho do nosso Deus.

E Ele é maior que os montes à nossa frente, mais alto que tudo. É por isso que ao elevarmos nossos olhos e buscarmos por Ele de todo o nosso coração, nós sempre O encontramos.







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[1] Salmos 121:4
[2] Salmos 121:1-2
[3] Salmos 37:23-24
[4] Isaías 40:28
[5] Isaías 40:29,31
[6] Eclesiastes 3:1
[7] Salmos 3:5-6
[8] Isaías 26:3-4
[9] 1Coríntios 10:13