quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Complexa simplicidade...


Imagem: Disponível na Internet.

“Tenho aprendido com o tempo que a felicidade vibra na frequência das coisas mais simples.
Que o que amacia a vida, acende o riso, convida a alma pra brincar, 
são estas imensas coisas pequeninas, bordadas com fios de luz no tecido áspero do cotidiano.”
(Ana Cláudia Saldanha Jácomo)



[...] Ainda falta o menor,
e eis que está apascentando as ovelhas. [...]
1Samuel 16:11 - ARC



Existe algo fascinante em se permitir ser um eterno aprendiz, por mais que se tenha lecionado e instruído na vida.

Ontem, em minha casa, uma jovem senhorita casada e mãe de um lindo garotinho, esteve me aconselhando sobre alguns aspectos da vida. O detalhe que fez toda a diferença é que essa mesma pessoa foi minha aluna na Escola Bíblica Dominical, nas classes das crianças, dos adolescentes e dos jovens, por dez desses últimos doze anos.

É instigante observar como Deus é simples e, ao mesmo tempo, embaraça os mais sábios dos homens. As palavras da Bíblia são compreensíveis até mesmo por uma criança, mas a plenitude contida nelas envergonha mesmo a eruditos. A simplicidade de Deus é tão complexa que nem a menor das Suas partículas pode ser compreendida por toda a nossa ciência, mas Sua glória cabe nos corações de gente simples e humilde. E estes a irradiam com naturalidade.

Fico pensando em como Deus nos surpreende...

Muitas vezes esperamos por grandes acontecimentos para conseguirmos ver um milagre de Deus quando, na verdade, só o fato de permanecermos respirando já é um milagre dos mais extraordinários. Você já parou para pensar no mistério que há no nosso respirar? É uma necessidade vital e nós nem precisamos nos esforçar para realizá-la. Inconscientemente, fazemos isso o tempo todo. O próprio corpo se encarrega de produzir os movimentos de inspiração e expiração por nós, compassadamente, sem que nós tenhamos que parar nossos afazeres e pensar nisso. Esse milagre se repete a cada segundo, todos os dias, e quase sempre nós não nos damos conta disso.

Por alguns instantes, Elias, o homem de Deus, esperou Deus nos grandes eventos que estavam acontecendo no exterior da caverna. Ventania, fogo, terremoto... Em nada disso Deus estava se manifestado. Mas no inesperado foi que Ele Se aproximou do homem, através do “murmúrio de uma brisa suave”[1] foi que o Senhor Deus Se revelou.

Israel esperava um grande líder, rico, pomposo, com honrarias de um chefe de Estado, mas o Filho de Deus manifestou-Se pobre, nascido numa manjedoura em vez de um berço, carpinteiro em vez de príncipe, montado num jumento em vez de um cavalo real, pregado numa cruz em vez de coroado sobre um trono. E isso decepcionou aquele povo sobremodo.

A grandeza do homem no Reino de Deus está em ser pequeno[2]. O que salva o homem é O que não Se vê (Deus, através da fé), e não o que o homem pode fazer (as obras)[3]. Ser santo garante a vida eterna, ser rico não[4]. O que aproxima o homem de Deus é um coração quebrado, e não sacrifícios incríveis[5]. E assim é que o Reino de Deus, como uma semente oculta sob o solo se expandiu, tornando-se a mais poderosa instituição que já houve na terra, e pode oferecer abrigo para todos quantos a ele queiram se achegar.

Ontem, sentei-me com uma dessas jovens que o mundo comumente despreza, mas que trazia em si a grandeza desse Reino, a presença do Espírito Santo, imensurável e suficiente para mudar os caminhos do mundo... E isso lhe tornava gigante, sábia em suas palavras, e digna de ser ouvida.

Tão bom aprender com gente que, independente de qualquer condição, conhece a Deus!...





[1] 1Reis 19:11-13 - NVI
[2] Lucas 22:26
[3] Efésios 2:8-9
[4] Marcos 10:17-23
[5] Salmos 51:16-17