domingo, 16 de fevereiro de 2014

Conflitos que produzem glória...


Imagem: Disponível na Internet.


“Considero que os nossos sofrimentos atuais
não podem ser comparados com a glória
que em nós será revelada.”
Romanos 8:18


De dois anos pra cá, minha vida tornou-se um turbilhão de acontecimentos suscetíveis, intensos e impressionantes, que me assustaram e até me fizeram temer um pouco sobre o meu futuro, mesmo sabendo que este está inteiramente nas mãos do Todo-Poderoso.

Alguns desses acontecimentos, eu narrei aqui. Outros, não precisei narrar mas, pelos meus escritos, você, querido(a) leitor(a), pôde descobrir a que se referiam. E outros eu, simplesmente, mantive (e ainda mantenho) em segredo.  Por algum tempo, o blog cuja proposta original era ser um altar virtual, de onde eu pudesse ministrar ensinos bíblicos e evangelizar, de repente tornou-se, ora um diário confessional, ora um megafone para meus desabafos pessoais...

Ocorre que em nenhum momento deixei de ver o cuidado extremo do Senhor Jesus, ainda mais evidente diante dos meus olhos, me cercando por todos os lados e dando equilíbrio quando toda a minha realidade – produto de anos e anos de renúncias pessoais e entrega sincera a Deus – parecia estar se desmoronando, e quando o curso de muitas certezas começou a mudar drasticamente. Ele, o Senhor, já havia me avisado que seria assim, mas, confesso, eu não imaginei que tais mudanças seriam tão impactantes e bruscas como foram. É como se o sólido chão debaixo dos meus pés de repente deixasse de existir.

E há dois anos tenho meditado sobre o manifestar da glória de Deus em nossas vidas. Compreendi ainda mais o porquê que onde tudo parece ser uma perda, na vida de alguém temente a Deus, nada mais é que o manifestar da sabedoria divina. Na verdade, Deus está preparando terreno para a manifestação da Sua glória.

Pedro não caminharia sobre as águas se não estivesse numa tempestade e percebido que o fantasma se aproximando, na verdade, era Jesus[1] . Daniel não teria visto a glória de Deus dentro da cova com leões, se não tivesse sido jogado dentro de uma[2] . Estêvão não teria visto os céus abertos e Jesus à direita de Deus, se não tivesse sido perseguido e apedrejado[3].

Primeiro, Deus permitiu o temido exército assírio fazer um showzinho e apresentar-se arrogantemente diante do rei Ezequias, levando todo o povo a estremecer com suas ameaças terríveis. Só depois que tudo parecia perdido, o Senhor Deus exaltou Sua força e, com Seu anjo apenas, Ele “feriu no arraial dos assírios a cento e oitenta mil deles” numa só noite[4]. Em vez de curar a doença de Lázaro, o Senhor preferiu ressuscitá-lo e, não fosse aquele contratempo, a multidão não teria confirmado que Jesus tem poder até sobre a morte[5].

A passagem pelo Mar só aconteceu depois de muita perseguição e quando já não havia mais possibilidade de fugir[6]. Golias só foi derrotado quando já não havia esperança para os guerreiros de Israel e, pra completar o cenário desolador, um adolescente se levantou no meio deles contra o imponente gigante e seu exército, expondo diante de todos a fé e a ousadia que milhares de soldados formados para a guerra, juntos, não tiveram[7].

E tantos outros exemplos a Bíblia nos traz – e para nosso crescimento os traz – sobre o manifestar da glória de Deus em circunstâncias caóticas, desacreditadas, improváveis. Quando as novidades pra mim começaram a chegar, eu estava vendo acontecer no ambiente físico ao meu redor mais ou menos uma explicação do que aconteceria no espiritual e no material também. E essas histórias bíblicas de coragem, perseverança, ousadia, fé, submissão ao Senhor foram fundamentais para me manter de pé. [Você pode ler algumas mais sobre isso aqui: Sempre novos em Cristo (27/04/2012), Planejamento e dependência de Deus (28/04/2012), Reforma da alma (29/04/2012), A hora da separação (02/05/2012)]

Percebo que todas as novidades – muitas adoráveis e outras extremamente entristecedoras –, que somadas às circunstâncias em que temos vivido, dizem respeito às grandes obras que Deus ainda quer realizar nas e através das nossas vidas. Conflitos que produzem glória.

Durante o aparente caos, porém, nada sai do controle de Deus. É isso que devemos ter sempre em mente, se já nos colocamos em inteira submissão ao Senhor. “Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor as livra de todas”[8], é o que nos lembra a Bíblia Sagrada.

É que conflitos têm o seu lado bom. Aliás, toda solução tem origem num conflito. Folhas de hortelã, água, jornais e até sabugos de milho, por exemplo, serviram muito bem à humanidade para a limpeza íntima, até que alguém sentiu a necessidade de utilizar um instrumento menos agressivo, mais macio para se limpar. E desse conflito entre peles irritadas e recursos pouco apropriados, muitas pesquisas  foram realizadas, até surgir, para a alegria de toda a raça humana, o papel higiênico. Igualmente, por causa do conflito entre as distâncias e a necessidade de se comunicar rapidamente com as pessoas, surgiu o telefone.

Mesmo os conflitos, como a Palavra de Deus nos ensina, nos fazem crescer e desenvolver potenciais que não conhecíamos. Fazem-nos confrontar nossas motivações com as razões de Deus, e esse confronto inevitavelmente nos ajuda a rever nossos valores, reorganizar a ordem das nossas prioridades. Dão-nos a graça de experimentar outra vez que “Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que O amam, dos que foram chamados de acordo com o Seu propósito.”[9]

Mas de todas as histórias de conflitos que antecederam o vislumbre da Glória de Deus, não podemos nos esquecer de quão grande conflito o Mestre Jesus já experimentou por nós. Foi numa madrugada fria, no horto das Oliveiras, que Ele esteve orando e fazendo a escolha entre não entregar-Se a algozes que Lhe matariam com requintes de crueldade dentro das próximas horas, e assumir e suportar todo aquele sofrimento para garantir que nós sempre encontraríamos solução para os nossos[10].

Ele escolheu fazer a vontade de Deus em vez da Sua. Escolheu sofrer sem merecer. Escolheu não pensar em Si, mas em nós. E se Ele fez o que era impossível é porque sabia que era o necessário.

E daquele conflito que Cristo viveu amargamente vê-se, até hoje e como nunca, o esplendor da glória de Deus. Ela Se manifesta quando confiantemente superamos nossas intempéries. Ela é aplaudida quando humilde e submissamente somos restaurados, libertos, transformados.






[1] Mateus 14:22-32
[2] Daniel 6
[3] Atos 7:54-60
[4] Isaías 36 e 37
[5] João 11
[6] Êxodo 14:15-31
[7] 1Samuel 17
[8] Salmos 34:19 - ACRF
[9] Romanos 8:28 - NVI
[10] Lucas 22:39-45