quarta-feira, 5 de março de 2014

Muito além das orações...

  
By Elaine Cândida, com imagens disponíveis na Internet.


“Então poderemos gastar todo o nosso tempo na oração,
na pregação e no ensino.”
Atos 6.4 - Viva


Existe algo sublime na oração...

Em momentos a sós com Deus, quando nossos pensamentos se voltam exclusivamente para Ele, ainda que por um curto tempo, nossas almas rompem as barreiras da eternidade, e a imensidão do céu torna-se pequena para conter nossa satisfação.

É que, diferente de reproduzir uma ladainha fria e decorada, a oração sincera extrai o que de mais íntimo habita no homem, e expõe sem reservas seu ser à luz que emana do Trono. Ali, é impossível ocultar mágoas, encobrir feridas, diminuir a verdade.

E não há maior satisfação do que ser liberto do fardo, ou, pelo menos, de encontrar alguém interessado e disposto a nos ajudar a carregar aquele fardo do qual ainda não podemos nos desfazer. E também não há maior satisfação em saber que esse alguém é o Criador dos céus e da terra, que tem o universo inteiro para cuidar, mas dispensa Sua atenção e cuidados sobre esses pontinhos minúsculos no infinito, que somos nós.

Ouvir a voz de Deus em oração é o afago que nossas almas cansadas e, muitas vezes, entristecidas, tanto necessitam. Seu manifestar é a provisão mais precisa que nosso ser desejava, depois que todos os demais recursos já provaram ser insuficientes para nos preencher. E mesmo o silêncio do Senhor diante das nossas orações traz alívio para a alma, como chuva bendita sobre a aridez do campo que precisa produzir. Que alegria para o agricultor que esperava ansioso por aquelas águas!

Na maioria das vezes, nossas orações parecem não ter retorno e, consequentemente, não nos satisfazem, porque estão mais interessadas em pedir do que em agradecer, em repetir do que em confessar, em impressionar do que em se render. E não há segredos para ouvirmos Deus em oração. Há diferenças.

Diferença entre o que se dirige a Ele cobrando o cumprimento de Suas promessas, e o que se dirige a Ele reconhecendo todo o bem que já recebeu do Senhor, ainda que isso pareça pequeno diante dos homens.

Diferença entre o que dobra seus joelhos num ritual que cumpre uma obrigação, e o que dobra seus joelhos, pelo simples prazer de estar ali, em reverência e reconhecimento da grandeza, da santidade, da nobreza do Deus que Se dispõe a receber-nos em Sua presença.

Diferença entre quem ora precisando de bênçãos de Deus, e quem ora precisando do próprio Deus. Este é o cristão que, verdadeiramente, busca tudo o que é necessário e, inevitavelmente, recebe de Deus tudo o que precisa.

Diferença entre quem enxerga Deus apenas nos sinais, nos milagres, nas maravilhas, e o que enxerga Deus a todo instante, na brisa suave, no pousar da borboleta, no sorriso da criança, numa canção em Seu louvor. Este é o cristão que caminha com Deus a todo instante, que tem sensibilidade para percebê-Lo, e que ouve Sua voz lhe ensinando, mesmo em meio aos infortúnios, e por tudo isso consegue ter um coração cheio de gratidão e adoração.

Uma vida em constante oração é sensível às necessidades dos seus semelhantes. Tem sempre uma palavra correta para exortar ou acalentar e, quando não tem, sabe fazer do seu silêncio um importante diálogo que se encerra com um abraço terno e acolhedor.  Tem orientações necessárias para encaminhar e caminhar lado a lado com outras pessoas no caminho da paz e da salvação. Pois uma vida em constante oração está constantemente acompanhada de Deus e, assim, pode permiti-Lo manifestar-Se através de si aos necessitados, exercitando a graça.

Uma vida em constante oração mantém suas forças em tempos de angústia, não desvia-se do alvo, não é consumida pelas inevitáveis tristezas e frustrações que salgam nossa existência. Prospera, ouvindo Deus nos grandes e nos pequenos eventos, separando-se sempre que possível para estar a sós com Ele e, assim, persevera de joelhos.

Há algo sublime em praticar a oração não como uma obrigação a ser cumprida, mas como uma bênção maravilhosa a ser fruída. E nós só conseguimos perceber o que é, quando compreendemos que, muito além das orações, Deus está mais interessado no crente que ora.