domingo, 30 de março de 2014

Pretensiosa tristeza...



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“Felizes são também as pessoas que fazem do Senhor a sua força e resolvem,
em seu coração, seguir pelos retos caminhos de Deus!
Elas são capazes de transformar lugares secos em fontes,
transformar tristezas e sofrimentos em alegrias e bênçãos,
em lugares cobertos de flores e frutos com a chuva da primavera.”
Salmos 84:5-6 – Viva



Vez em quando uma tristeza me visita importunamente, entra sem ser convidada, e finge não ouvir minha ordem para que ela se afaste do meu coração.

Na sala das minhas memórias, derruba as almofadas das minhas paixões, desorganiza a estante da minha fé, suja o tapete da minha alegria, arranca as cortinas das minhas esperanças, embaça as vidraças dos meus sentimentos. É impressionante como essa visita indesejada tem o poder de deixar-nos rapidamente irritadiços, ansiosos, isolados, incrédulos...  

Tento me conter, trazendo à memória aquilo que pode restaurar minha perseverança no futuro, nas promessas, no amor que Deus sente por mim e na graça que Ele generosamente dispensa, até que a tristeza se vá e a paz volte ao seu trono novamente em meu coração.

Suspiros, olhar distante, silêncio, pensamentos serenos... Melhor assim. Melhor suportar a tristeza sem fazer muitos esforços. Afinal, já bastam os estragos que ela, por si mesma, já causou em meus jardins.

Alguém passa lá na rua e grita: “Quem tem Deus não pode sentir tristeza no seu coração”. Não sei quem contou-lhe essa mentira descabida, nem vou tentar descobrir. Contudo, posso lhe assegurar que a Bíblia afirma o contrário:

“E, tendo [Paulo] anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio e Antioquia, confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no Reino de Deus.”[1]

“E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições.”[2]

“Eu lhes disse essas coisas para que em Mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo”.[3]

“Mas agora assim diz o Senhor, aquele que o criou, ó Jacó, aquele que o formou, ó Israel: ‘Não tema, pois Eu o resgatei; Eu o chamei pelo nome; você é Meu. Quando você atravessar as águas, Eu estarei com você; e, quando você atravessar os rios, eles não o encobrirão. Quando você andar através do fogo, você não se queimará; as chamas não o deixarão em brasas. Pois Eu sou o Senhor, o seu Deus, o Santo de Israel, o seu Salvador’...”[4]

“Quando”, e não “Se”. É assim que o próprio Deus aponta para os dias das nossas tristezas. Não fala um “talvez”. Sinaliza, sim, para a certeza que, num momento, passaremos por águas tão desconhecidas e intensas como o mar. Noutro, por águas mais contidas e mais familiares, porém não menos perigosas. E noutros, por situações como fogo, cujas labaredas incendiarão os lugares mais íntimos do nosso ser. Porém, nada disso nos destruirá, se o Senhor estiver conosco.

“Felizes são aqueles que de Ti recebem forças e que desejam andar pelas estradas que levam ao monte Sião! Quando eles passam pelo Vale das Lágrimas, ele fica cheio de fontes de água, e as primeiras chuvas o cobrem de bênçãos.”[5]

A diferença está em render-se ao domínio devastador da tristeza ou deixar claro para ela que a presença do Espírito de Deus é real em nosso viver. A Presença Divina blinda nossas almas contra danos eternos que a tristeza possa causar. E essa presença é sempre intensificada quando encaramos a tristeza, olhamos bem dentro dos seus olhos irônicos, e abrimos nossos lábios para cantar louvores a Deus do profundo das nossas almas.

“Louvarei ao Senhor toda a minha vida. Em qualquer lugar, a qualquer hora, haverá em minha boca palavras de louvor.”[6] Nessas horas, diante dessa atitude, ela se sente envergonhada. A tristeza sabe que até poderá ficar por perto, mas estará desprezada. Pouco a pouco juntará seus molambos, lentamente, ainda pretendendo encontrar uma vaga despercebida onde possa causar uma ferida, sugar nossas forças e voltar a ter o controle da situação.

Pretensiosa, essa tal de tristeza. Uma inimiga invisível e silenciosa, capaz de causar danos irreversíveis. Aproveita-se de tudo para se instalar permanentemente em nosso coração, principalmente dos momentos de fraqueza, de frustração, de perda, de dor, de saudade. Contudo, ela pode até ignorar isso, mas nós jamais devemos nos esquecer que o propósito de sermos podados pelas circunstâncias difíceis da vida, é sempre para melhorar a qualidade dos nossos frutos, jamais para judiar da árvore.
   







[1] Atos 14:21-22 – ACRF
[2] 2 Timóteo 3:12 – ACRF
[3] João 16:33 – NVI
[4] Isaías 43:1-3 – NVI
[5] Salmos 84:5-6 – NTLH
[6] Salmos 34:1 – Viva