segunda-feira, 17 de março de 2014

Reatando a Amizade...


Imagem: O Filho Pródigo (Lucas 15:11-32), disponível na Internet.


“Então Jesus lhes disse: “Ainda esta noite todos vocês,
e abandonarão, pois está escrito: ‘Ferirei o Pastor,
e as ovelhas do rebanho serão dispersas’.
Mas, depois de ressuscitar, irei adiante de vocês para a Galileia.”
Mateus 26.31-32 – NVI



Numa das Suas últimas conversas com Seus discípulos, Jesus advertiu-lhes sobre ser abandonado pelos Seus amados, e encarou isso como uma maturidade impressionante. Ele sabia que seria enviado ao Seu matadouro, e que seria desamparado por todos, mas não desviou-Se do Seu curso. Com naturalidade e espontaneidade, aceitou Seu martírio, e prosseguiu.

Aquela demonstração dramática de medo e incredulidade dos discípulos que Jesus treinou por três anos, dia após dia, não desmotivou nosso Senhor. Antes, Ele ainda declarou que, depois de ressuscitar, voltaria para a Galileia e o faria antes mesmo dos Seus discípulos.

O fato de Jesus anunciar que iria adiante deles, a algum lugar, após Sua ressurreição, deve ser motivo de júbilo para todos nós, que acreditamos Nele como o Filho de Deus enviado como a maior expressão da Sua graça e do Seu amor por nós. Significa que a morte não é o fim para Jesus.

Ser abandonado pelos Seus amigos não foi o fim para Ele. Morrer cruelmente numa cruz também não. Passar três dias num sepulcro, tampouco. Não houve um fim para Jesus. Nem nunca haverá.

Não é importante para nós sabermos que Ele já trilhou um caminho pelo qual todos nós estamos andando também?

A perda dos amigos não será o nosso fim. A perda de um grande amor não será o nosso fim. A perda de um cargo importante não será o nosso fim. Nem a perda de um ente querido. Nem nenhuma outra tribulação será o nosso fim. Não, se nós não quisermos.

Quando Marta tentava entender e explicar a promessa de ressurreição que Jesus fez sobre Lázaro[1], O Senhor expressivamente alegou: “[...] Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive, e crê em Mim, nunca morrerá [...]”[2].  

Essas palavras trazem acalento para o nosso coração. Nossos pecados e culpas não podem nos matar, se buscarmos perdão e vida em Cristo. Nosso coração frio e angustiado pode ser aquecido pelo calor da presença do Espírito Santo e consolado pela Sua Palavra. A esperança esvaída bem diante dos nossos olhos toma novo fôlego e é restaurada quando recebemos o abraço amoroso do Pai Eterno, mediante nossas confissões sinceras e contritas.

Existe esperança para a árvore cortada, ressequida sobre a terra. Mesmo que o seu tronco morra no pó, ela pode voltar a brotar outra vez, e reviver, como uma planta nova. É a garantia da Palavra do Senhor para nós[3]. E essa árvore prefigura a minha e a sua vida. Isso foi anunciado para a nossa alegria, quando nas noites tristes que a vida inevitavelmente nos traz. Isso foi determinado por Deus para nossa restauração, quando nossos atos e culpas impuserem um abismo intransponível a nós entre nós e o nosso Criador[4]. A cruz da renúncia pessoal de Jesus por amor a nós é a ponte para cruzarmos o abismo e alcançarmos o perdão de Deus, seja qual for a nossa situação.

Cristo fez isso por nós, porque Ele, mais do que ninguém, sentiu a dor da solidão no alto do madeiro, abandonado até pelo próprio Deus[5], e sabe o quanto é triste viver longe do Pai. Jesus superou muito bem as Suas perdas, enfrentou a cruz, venceu a morte. E Ele continua indo à frente, para nos direcionar em todo o caminho, e garantir que nossa comunhão com Deus também será reatada, seja qual for a circunstância em que nos encontramos, seja qual for a dimensão do abismo que nos separa do Pai.

Portanto, sigamos Seus passos com fé, esperança e amor. A nossa decisão de segui-Lo será a última decisão que tomaremos. Daquele momento em diante, quem tomará as decisões nas nossas vidas será Ele. E nós não precisamos duvidar que tudo dará certo, pois Jesus conhece bem o caminho, e Ele já foi contemplado com a eterna e gloriosa recompensa por ter seguido fielmente por ali.










[1] João 11:21-23
[2] João 11:25-26 – ACRF
[3] Jó 14:7-9
[4] Isaías 59.2
[5] Marcos 15.34