quinta-feira, 1 de maio de 2014

Medo de ser feliz...


Imagem: Disponível na Internet.




“O que Eu disse, isso Eu farei acontecer; O que planejei, isso farei. [...]
Então você saberá que Eu sou o Senhor;
Aqueles que esperam em Mim não ficarão decepcionados.”
Isaías 46:11, 49:23 – NVI



Sabe, existe alguém atrapalhando a sua vida, que você talvez não consiga enxergar e, se está enxergando, talvez não se sinta forte o suficiente para lutar contra ele. Contudo, antes de falar do seu medo, quero falar sobre os medos dos outros. (Não vamos fofocar, tudo bem? Vamos refletir...)

A Bíblia está cheia de histórias de homens e mulheres que tiveram medo diante de situações complexas, diante do inesperado, diante do desconhecido. Uma dessas pessoas é Pedro.

Homem de bom porte físico, acostumado a lidar com trabalhos braçais e com alguns dos mistérios do mar, em determinada ocasião e numa mesma sequência de fatos, Pedro temeu uma tempestade em alto mar, temeu um fantasma e temeu afogar-se[1].

Mulher acostumada a lidar com as privações da vida, Ester também teve o seu momento de medo, quando precisou aproximar-se do rei Assuero, seu esposo. Ninguém que não fosse convidado poderia apresentar-se diante daquele monarca, mas Ester teve de fazê-lo para salvar seu povo[2].

Paulo é outro grande exemplo desses “leões amansados pelo medo”. Ele era filho de Israel, a nação temida pelo mundo inteiro por causa da promessa e do poder de Deus manifesto sobre ela. Era fariseu, uma das classes mais respeitadas de estudiosos o seu tempo. Era um fiel perseguidor da Igreja, cumpridor da justiça que há na lei, irrepreensível aos olhos dos homens. Não Senhor, Paulo não se confundia com ninguém. Quer um referencial de homem destemido e religioso? Olhe para  ele. Pense num homem impecável que, de tanto zelo pelas coisas santas, matava em nome da lei e da religião. Pensou? Então você deve ter visto Paulo, o feroz. Mas quando  encontrou-se caído e cego a caminho de Damasco, em uma missão jamais concluída, sentiu medo como um gatinho, e o seu rugido ouviu-se como um miado: “Quem és, Senhor? [...] Que queres que eu faça?”[3].

João, outro homem tempestuoso a ponto de ser chamado por Jesus de “filho do trovão”[4], homem de temperamento forte e ousado, que mesmo sem letras e indouto foi capaz de desafiar o capitão do templo, os sacerdotes e os saduceus da sua cidade de uma só vez, esfregando-lhes nas fuças a verdade do Evangelho do Reino, também caiu de tanto medo quando, numa visão sobre o futuro, Jesus lhe apareceu e fez revelações extraordinárias sobre o céu, o inferno e a eternidade.

Relembrar os exemplos dessas pessoas sentindo medo diante de circunstâncias adversas abre-nos caminho para falarmos sobre os nossos próprios medos. Tratam-se de pessoas como eu e você, com sentimentos e desejos, com paixões e com temores, mas com atitudes diferentes das nossas.

Em todos os exemplos, e nos demais que a Bíblia traz sobre pessoas que enfrentaram seus medos e foram bem sucedidas, vemos este mal sendo canalizado até as palavras e promessas de Deus e dissolver-se ali. Isso permitiu àquelas pessoas prosseguirem rumo ao seu alvo, até experimentarem o resultado de toda aquela confiança.

Quanto a nós, comumente fazemos o oposto: Nós fugimos. Para não sofrer com as frustrações e solidão, você se envolve tanto com seus estudos e livros, a ponto de não ter mais tempo para se envolver com mais nada ou ninguém. Eu, para não sofrer com a casa vazia após um expediente cansativo de trabalho, sem ninguém a me esperar que possa suprir minhas carências, eu envolvo-me tanto com mais trabalho, a ponto de passar a viver em função dele, quando deveria apenas trabalhar para viver. Uma outra pessoa, tentando amenizar seu sofrimento, suas dores, a rejeição, envolve-se tanto com vícios, a ponto de abandonar o convívio social e até a própria família.

E assim, nós nos convencemos que somos super humanos e que podemos viver sozinhos, isolados: Você, porque tem um conhecimento excepcional. Eu, porque sou uma máquina de habilidades e trabalho. Eles, porque têm uma liberdade aparentemente incondicional. Mas, na verdade, muito além de tudo isso, nós somos um bando de fujões. Isso mesmo: Fujões. Covardes. Medrosos.

Nosso comportamento nada mais é que uma fuga dos novos desafios e das dores que os nãos da vida nos provocaram. Nós temos medo de tentar de novo. Temos medo de darmos um passo em direção ao desconhecido. Temos medo de sofrermos outra vez. E, assim, muitas vezes perdemos as oportunidades tão preciosas que a vida nos trouxe para nos consolar e alegrar.

Jesus sabia que o medo seria certamente um dos nossos maiores inimigos, a ponto de impedir nossa felicidade. Ele sabia que o medo é um vilão que não escolhe vítimas nem hora certa para atacar. Ele simplesmente nos acompanha a cada instante das nossas vidas, e sempre encontra uma oportunidade para nos engessar, quando deixamos que as circunstâncias ditem-nos as regras, em vez de Deus fazer isso para nós.

Por isso, o Senhor repetiu mais de 120 vezes nos evangelhos, expressões como: “Não temam”, “Sejam corajosos”, “Não tenham medo”, “Tenham bom ânimo”. Ele, mais do que ninguém, sabe o quanto é importante não deixarmos as circunstâncias direcionarem nossa fé.

Quando vivia as últimas horas antes da Sua prisão, Jesus chegou a sentir “tristeza até a morte” na Sua alma, só em pensar no sofrimento a que seria submetido a partir de mais alguns instantes[5]. Contudo, muito além daquele sofrimento, o Senhor via pessoas como eu e como você. Ele via que o medo nos roubaria a paz, sugaria nosso domínio próprio e nos deixaria vazios e desesperados. E Ele via que precisávamos de um suporte, de um lugar seguro, de um caminho livre para passarmos, quando o medo quisesse nos engessar.

Hoje, a mesma Palavra que diz: “Eu, o Senhor teu Deus, te tomo pela tua mão direita; e te digo: Não temas, Eu te ajudo”[6], é a mesma que nos lembra: “A bênção do Senhor é que enriquece, e não traz consigo dores”[7].

Se nossos anseios foram depositados diante de Deus, não temos que temer o que (ou quem) Ele trouxe até nós para realizá-los. Se nossas frustrações foram levadas ao Senhor com a certeza que Ele nos socorreria, então não devemos temer o que (ou quem) Ele está usando para curar nossas feridas. Se as dificuldades foram levadas até Ele, então não devemos duvidar quando Ele começar a transformá-las em bênçãos.

Não nos faltam motivos para termos medo, mas também não nos faltam justificativas em Deus para abrirmos mão dele.

Um homem comum andando sobre as águas e registrando para a sua, e para todas as gerações seguintes, o que uma pequena porção apenas de fé é capaz de fazer. Uma mulher revelando um plano maléfico e desmascarando o grande inimigo da sua nação diante da maior autoridade do reino. Um predador de cristãos convertido num dos maiores defensores da vida presente e futura que a história já viu. Um homem ignorante visitando o céu, revelando o futuro do mundo, e escancarando o convite para a salvação da humanidade. Essas histórias de Pedro, Ester, Paulo, João, são exemplos de uma esperança que excede qualquer um de nossos medos.

Já imaginou se nenhum deles tivesse dado um passo além? Quantas histórias lindas e edificantes deixaríamos de ter para nos ajudar a vencer o medo. Essas pessoas simplesmente confiaram que Deus lhes daria bênçãos completas, condições necessárias de serem felizes com aquela realização.

Elas não duvidaram que a bênção do Senhor não lhes traria tristezas ou preocupações. E não hesitaram em dar o próximo passo em direção a ela – ainda que tudo parecesse tão escuro e estranho – porque sabiam que nenhum dos seus cuidados ou esforços poderia substituir ou melhorar o que Deus lhes havia prometido.

Aquelas pessoas sabiam que embaixo de nós estão os braços do Bondoso Senhor, que nos levam para o lugar certo da Sua bênção, onde tudo é completo e realizador, onde somos satisfeitos e plenos.

Elas sabiam que o oposto de medo muitas vezes não é coragem, mas sim fé Naquele que é maior do que tudo o que temos ou podemos fazer aqui. Elas não tiveram medo de ser feliz. E foram bem-aventuradas.

Ah, e o seu medo, ainda está aí?

Lembre-se que “o Senhor é bom, um refúgio em tempos de angústia. Ele protege os que Nele confiam”[8].

Ele conhece as suas preferências e necessidades. Ele trará exatamente o que você precisa. E Ele te realizará com bênçãos que não te frustrarão mais.

“Não temas!”. Essa não é só uma palavra de esperança que sai da minha boca pra você. É a promessa e a certeza garantida de Quem bebeu o cálice da cruz para vencer o mal, o inferno, o pecado, a morte, o medo, e garantir que nada seria forte o bastante para impedir nossa felicidade aqui e na eternidade.

Portanto, não tenha medo. Se você esteve esperando em Deus até aqui, Ele não te deixará decepcionado.





[1] Mateus 14:22-33
[2] Ester 4, 5:1-8
[3] Atos 9:1-8 – ACRF
[4] Marcos 3:17
[5] Mateus 26:37-45
[6] Isaías 41:10 – ACRF
[7] Provérbios 10:22 – ACRF
[8] Naum 1:7 – NVI