sábado, 28 de junho de 2014

Como não ver Deus?


Fiorde, Noruega.
Imagem disponível na internet.


“Louvem o nome do Senhor, pois só o Seu nome é exaltado;
a Sua glória está sobre a terra e o céu.”
Salmo 148.13



Não há como não ver Deus nos veios de água que, aos poucos, se juntam e produzem um rio tão imenso e bonito. Represado, esse rio forma um lago, cujo encanto e beleza inspiram mesmo o mais leigo de todos os homens, e Deus está presente também nisto.

Não há como não ver Deus na brisa que açoita suavemente as espigas do trigal, e afaga com esplêndido carinho a alma de quem baila nessa visão juntamente com elas.

Não há como não ver Deus no desajeito dos bois pastando, livremente escolhendo com cuidado cada folha do capim verde, como se, com seus focinhos engraçados, mais brincassem com as folhas de mato que propriamente se alimentassem. Alguns preferem fazer a digestão deitados à sombra de uma árvore solitária, certamente para ficar perto do seu Criador, que  ali também está.

Não há como não ver Deus na casinha branca ao pé do morro, quebrando o verde que se perde no horizonte, mas configura o lugar exato de provocação aos sonhos e à imaginação de quem ama um lugar de paz perto da mata, com telhas antigas, uma porteira e um grande quintal.

Não há como não ver Deus na imensidão do céu azul e limpo, que cobre o mundo feito uma colcha de retalhos únicos da graça, costurados pela criatividade do Criador a cada dia, ou como a expressão do gigantesco abraço do Salvador, quando  Este permitiu-Se morrer de braços abertos, como que chamando o mundo inteiro para o Seu amor sublime.

Não há como não ver Deus no sorriso meigo da Maria Luiza*, pintando muitos desenhos comigo durante essa tarde, arrebatando toda a atenção que eu deveria dar à orientadora de mais outro encontro de formação continuada. Não é que a aula não estava interessante. É que Deus sempre é mais atraente.

Não há como não ver Deus na proteção do caminho de volta para casa, nem no sol que, sem pedir nada em troca, oferta o seu calor, a sua energia e a sua luz durante todo o percurso, enquanto for preciso. Representação perfeita do que Deus é faz por nós.

Por isso, não há como não ver Deus nas coisas simples ou nas intensas, na providência de cada dia, no começar e no terminar da vida, no começar e no terminar de mais um de seus dias, ou mesmo no brilho dos olhos que leem essa mensagem.

Não há como não ver Deus na essência de cada ser humano, cuja perfeição orgânica e psíquica não se pode reproduzir em laboratórios, tampouco explicar com fórmulas ou mitos.



* Maria Luiza é a filhinha de 5 anos da Tatiana, uma colega da turma de formação de orientadores no PNAIC.