sábado, 7 de junho de 2014

O término da construção



Imagem disponível na Internet.


“Até agora, quando os incrédulos queriam ofender alguém, diziam: 'Você é um judeu!'. Mas isso acabou. De agora em diante, a palavra 'judeu' será sinal de bênção e não de ofensa. Agora todos dirão: "Seja feliz e rico como um judeu!'. Por isso, não tenham medo nem desanimem! Continuem a construir o templo.”
Zacarias 8.13 – Viva



Ufa!...
Que sentimento de alívio obviamente tomou conta do coração de Neemias, ao ver aquele muro – tão sofrivelmente construído – finalmente terminado.

É a mesma sensação do pai pobre que consegue ver o filho aprovado numa grande universidade. É a mesma sensação da mãe que encontra a filha que se perdeu no shopping. Foi a mesma sensação dos profetas quando viram o templo de Salomão ao Senhor também ser reconstruído. É a mesma sensação de qualquer pessoa que alcança algo muito importante que esperava ansiosamente.

Concluir um projeto - seja ele pessoal ou coletivo, temporal ou eterno, em benefício próprio ou de outrem - é sempre prazeroso, embora o processo, muitas vezes, seja bastante dolorido. Neemias deixa escapar o que lhe mantinha otimista e concentrado na reconstrução dos muros de Jerusalém, em meio às afrontas e perseguições motivadas pela inveja de alguns conhecidos seus: “Ó, Senhor, por favor, dê-me forças!”[1]

Não dá pra imaginarmos Neemias como um intrépido soldado de Deus apenas pelas suas próprias forças e sabedoria. Ao contrário: A postura decidida daquele homem em concretizar um projeto tão ousado tinha respaldo no poder e na direção absoluta de um Deus invencível, sábio, Senhor. A ordem do profeta Zacarias aos construtores do templo segue o mesmo princípio.

Mas nem a presença permanente no comando daquelas obras inibiu o maligno de tentar impedi-las por meio dos seus enviados. Pelo que novamente compreendemos que Deus não nos retira do meio das provações, mas nos ajuda a superarmos, com honra, cada uma delas. Ele não põe fim à vida de quem pede para morrer por pensar que não suporta mais certas situações, mas Ele ajuda essas pessoas a vencerem com honra, e mantém-lhes a oportunidade de entrarem no Céu de cabeça erguida.

Fico pensando em Jesus. Deus não O livrou da cruz, mas O ressuscitou com glória ainda maior que aquela que Ele tinha antes da Sua morte, de forma que a ressurreição de Cristo exterminou qualquer possibilidade de dúvidas sobre Ele não ser o Deus encarnado. Todos que não acreditassem deveriam olhar para o túmulo e, ao vê-lo vazio, compreenderiam que até sobre a morte Ele é Senhor.

Jesus concluiu uma obra que ninguém poderia realizar. E o fez com uma excelência que só Deus poderia fazer. Imagine a Sua satisfação, ao olhar o fruto do Seu penoso trabalho se reproduzindo em nossas vidas... Há uma linda passagem narrada por Isaías, que nos certifica disso:

E, quando Ele puder ver o resultado do seu terrível sofrimento, ficará muito satisfeito. Através de tudo o que passou, o meu Servo, o Justo, fará muitas pessoas se tornarem justas diante de Mim, porque Ele mesmo levará sobre Si os pecados delas. Por causa disso Eu darei a Ele grandes honras e muito poder, porque Ele entregou sua vida a ponto de ir até à morte. Foi considerado um pecador; contudo levou sobre Si os pecados de muita gente e orou a Deus em favor dos pecadores.[2]

Às vezes, olhamos as circunstâncias ao nosso redor, e parece haver uma conspiração no universo em prol da nossa desistência, principalmente no que se refere à nossa intenção de vivermos a eternidade com Deus. Incrível como o mal não nos respeita e, muitas vezes, nos alcança, mesmo sabendo quem é o Poderoso que está lutando em nosso favor...

Contudo, a exemplo de Cristo, de Neemias construindo os muros, ou dos trabalhadores do templo, não podemos ser reféns do medo. Não podemos nos permitir sermos cravados pelas setas da inveja, do despeito, das críticas tolas, da maldade ao nosso redor. Nem podemos deixar que nada atrapalhe nossa caminhada diária com Deus. Não podemos permitir que nada seja empecilho para vermos a glória do Senhor agindo sobre nós, providenciando tudo o que precisamos, exatamente como precisamos e no tempo ideal em que precisamos.

Permitir que seja assim, é privar-se da graça que Ele mesmo nos concede a cada dia, de darmos sempre um novo passo sobre o desconhecido e, de glória em glória, sermos realizados por Deus em toda nossa vida.

Pensemos sempre no alívio tão prazeroso teremos quando virmos Aquele que é fiel e que começou a boa obra em nossas vidas, finalmente, concluí-la [3]. Com alegria colheremos o fruto da nossa espera, de cada lágrima, de toda oração quebrantada, todo diálogo e aconselhamento divino, e veremos quanto valeu à pena todo esforço para colocar o próximo tijolo em seu devido lugar. Porque nenhum tijolo dessa construção tem sido acrescido a ela em vão. 






[1] Neemias 6.9 – Viva
[2] Isaías 53:11-12 – Viva
[3] Filipenses 1.6; Hebreus 10.23