sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Na rejeição, conhecer o amor de Deus...



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“Não tenha medo; você nunca mais será envergonhada.
A vergonha que você passou quando era jovem,
as tristezas que da sua viuvez, serão completamente esquecidas.
Você nunca mais será humilhada!”
Isaías 54.4 – Viva 


Ao longo da história, nós conseguimos desenvolver os mais incríveis meios de sobrevivência e de recomeços. Aprendemos a reconstruir continentes inteiros após catástrofes como terremotos, furacões e tsunamis. Aprendemos, no desconforto do convívio com as pestes, a desenvolver remédios e vacinas que controlaram e – graças a Deus! – em muitos casos, até exterminaram muitas delas.

Ao longo da nossa luta pela perpetuação da raça humana, desenvolvemos tecnologias que diminuem fronteiras, que trazem conforto, que substituem o homem com muito mais eficiência em delicadas cirurgias e garantem a continuação da vida.

Aprendemos a domar tantos animais gigantes e ferozes, e a fazer tantas coisas importantes e necessárias baseando-nos nas observações das necessidades do outro. O caminho aberto por todas essas conquistas é que nos levará a outras novas e ainda maiores.

Mas há algo com que não aprendemos a lidar, que é a rejeição. Lidar com a não aceitação vinda de alguém que estimamos é uma das mais cruéis batalhas humanas. Ninguém que foi rejeitado pode dizer que é fácil conviver com o desprezo.

Em mais de uma década como professora, tenho observado que os alunos que sofreram rejeição de alguma maneira, carregavam os traumas dessa experiência e se tornaram revoltados, assumido posturas ou muito agressivas, violentas, ou depressivas e isoladas. Tanto estes como aqueles são crianças de pouca socialização e que têm grande dificuldade em seus relacionamentos.

Obviamente, são comportamentos diferentes dos de Jesus Cristo, nosso Senhor, diante de todo desprezo e rejeição que Ele já sofreu e ainda sofre, mas não significa que Jesus não tenha sentido a mesma dor. Ao contrário, a Bíblia nos conta que “era necessário que Ele Se tornasse semelhante aos Seus irmãos em todos os aspectos, para Se tornar Sumo Sacerdote misericordioso e fiel com relação a Deus e fazer propiciação pelos pecados do povo. Porque, tendo em vista o que Ele mesmo sofreu quando tentado, Ele é capaz de socorrer aqueles que também estão sendo tentados.”[1]

A questão é que Cristo, sendo Deus, tudo pode suportar. Nós, não. Por outro lado, isso também não quer dizer que seja impossível superarmos a frustração de sermos desprezados por alguém que amamos. Certamente, leva tempo para que as feridas sarem dentro de nós. E isso depende de nós escolhermos que elas sejam saradas. Esse é o primeiro grande passo. O segundo é perdoar quem pisa sobre nossos sentimentos e menospreza nossa importância.

Muitas vezes tive (e ainda tenho) o desagradável sentimento de me sentir um zero à esquerda na vida de alguém que significa muito pra mim. Embora eu saiba que não pode ser comparada à dor que Jesus sente em ser rejeitado por muitos seres humanos que Ele amou a ponto de dar a própria vida, sei dizer que essa dor é imensa, é desgastante, é frustrante.

Mas um conforto inevitável preenche o coração de um rejeitado, quando olhamos para Cristo Jesus e O vemos adiante, desbravando um caminho de cura, de amor e de consolação para nós, sofredores, até então sem esperança. Por causa Dele, que “nossas dores levou sobre Si”[2], é que podemos suportar e vencer a dor de ter sido excluído da vida de alguém, seja quem for.

Sim, a dor da rejeição dói, como dói! Principalmente se nós tentamos dar o nosso melhor e não fomos aceitos. Quão maior tem sido, então, a dor que nosso Senhor sente, sendo Ele perfeito em tudo e, de fato, tendo feito o melhor pelos Seus amados, mas por eles ser desprezado...

Que refrigério há em sabermos que a Sua vitória é a nossa vitória, “[...] pois tudo quanto Deus dá ao Seu Filho Jesus agora é nosso também [...]”[3]! A dor que Ele sentiu garante que temos quem nos compreenda e nos ajude a suportar a nossa. “Não temos um sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado. Assim sendo, aproximemo-nos do Trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade.”[4]

A rejeição maltrata e desmotiva, mas os braços de Quem foi tão desprezado, a ponto de serem pregados numa cruz, consolam e animam outra vez.

Sejam, pois, eles, o nosso lugar de descanso. Porque morrer naquele madeiro foi um meio muito extravagante e gracioso que Jesus usou para sempre nos lembrar que, ainda que o mundo inteiro nos rejeite, expulse e despreze, os Seus braços ternos estarão constantemente abertos e prontos para nos acolher com o Seu amor incondicional.










[1] Hebreus 2:17-18 – NVI
[2] Isaías 53.4 – ACRF
[3] Romanos 8.17 – Viva
[4] Hebreus 4:15-16 – NVI