sábado, 9 de agosto de 2014

Escrevendo a vida...


 
Imagem disponível na Internet.

“Desde que Deus criou o mundo, as suas qualidades invisíveis,
isto é, o seu poder eterno e a sua natureza divina, têm sido vistas claramente.
Os seres humanos podem ver tudo isso nas coisas que Deus tem feito
e, portanto, eles não têm desculpa nenhuma.”
Romanos 1.20 – NTLH


Escrever tem sido uma paixão antiga, coisa que descobri já na minha adolescência. Um dom que ganhou impulso com o auxílio e os exemplos de alguns apaixonados pelas letras, que tive o privilégio de ter como professores e colegas.

Quando escrevo, tenho uma sensação de liberdade que somente outra atividade intimamente ligada com a escrita – a leitura, minha segunda grande paixão – pode nos proporcionar. Quem escreve sente-se livre para criar, ousado para inovar, competente para acrescentar algo ao que já está pronto. E quem lê sente-se livre para adentrar e desvendar a intimidade mais profunda que há em tudo o que foi escrito.

Quando escrevo, sinto-me a dona de uma importante chave, aquela capaz de abrir portas cerradas da alma de alguém. E quando publico meus textos, sinto que estou colocando essa chave nas mãos desse alguém que precisa abri-las. Tudo o que ele tem de fazer é ler e se permitir ser conduzido até o lugar certo.

Já quem lê tem a oportunidade de fazer viagens indescritíveis, das mais suntuosas às mais modestas, até o colo do amigo sentado ao lado ou até o outro lado do cosmo. Desbravador, pode ir ligeiramente até o topo de uma sequoia gigante, ou mesmo vencer todos os obstáculos da subida e, em alguns segundos, chegar ao cume do Everest. Ou enternecido, pode afavelmente embalar nos seus braços o filho de um rei ou, menos pretensioso, caminhar lentamente pela estrada estreita de pedras, numa madrugada solitária, rumo ao interior do coração de quem escreveu.

Tenho essa mesma impressão sobre Deus e sobre as Suas criaturas. Ele, o Sagrado Escritor, o Autor do universo, deixando um pouco de Si em cada obra, assinando com Sua impressão digital – inconfundível – a magnitude da perfeição expressa em cada ser da criação. Nós, os leitores das Suas obras. Por meio dessa nossa jornada incansável na busca por conhecê-Lo, como exploradores ávidos pela Literatura Divina, nós tentamos encontrar Deus na vida que vemos ser escrita a cada dia por meio dos inúmeros eventos da criação.

Creio que quando Deus preparava o mundo para, então, criar o homem, Ele o fazia como se estivesse escrevendo um livro gigante, cheio de imagens extraordinariamente belas e entrelinhas intrigantes e a serem percebidas e interpretadas por nós, de forma que as vidas de quem o fizesse se tornariam cheias de graça e sentido.

E creio que Ele tenha imenso prazer em ter alguns de Seus tantos mistérios sendo revelados aos homens, tornando Criador e criaturas mais íntimos, desmistificando a imagem de um Deus inacessível, solitário, isolado na sala de um trono cuja localização exata se desconhece. O próprio Senhor é quem diz: “[...] Aos que de Mim se aproximam Santo Me mostrarei; à vista de todo o povo glorificado serei [...]”.[1]

Uma parte dessa escrita que Deus deixou para nós é o próprio Jesus Cristo, Seu Filho, “o qual, sendo o resplendor da Sua glória, e a expressa imagem da Sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do Seu poder, havendo feito por Si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-Se à destra da Majestade nas alturas”[2]. Pela pessoa de Jesus Cristo – e somente por Ele – é que nós podemos conhecer com mais clareza a natureza de Deus, as Suas intenções, o Seu caráter, a Sua própria glória.

Há quem diga que Cristo Jesus é somente mais um profeta. Há quem diga que Ele é apenas um homem, o mais sábio que já existiu. Há quem diga que Ele é um impostor. Há quem não diz nada. E há quem diga que Ele é a expressão perfeita do próprio Deus, porque já experimentou um pouco da graça, da bondade, da misericórdia, do perdão, da paz e do amor do Criador através do poder e da pessoa de Jesus Cristo, ressurreto e vivo para sempre, haja vista que Jesus não é uma página virada da história que Deus tem escrito para o mundo ler e se ocupar.

Ao contrário. O nascimento, a vida e, em especial, a morte de Cristo, que precedeu à Sua ressurreição, fizeram a história humana recomeçar sob uma nova perspectiva. Seu martírio sacrificial na cruz, especificamente, deu à trajetória do homem nova ênfase e novo destino, caso este queira que sua história seja contada assim, com novidade de vida, rescrita com sangue da Realeza. Uma história cujo capítulo Deus gostaria de concluir aqui na terra, no tempo certo, e continuar escrevendo na eternidade. Mas que depende das nossas escolhas, do nosso interesse em sermos eternamente felizes.

Por isso, o melhor que temos a fazer, é entregarmos as canetas – nossas vontades – nas mãos do Criador, e os cadernos – nossas vidas – aos Seus cuidados. Ele concerta os borrões, apaga os erros, redige com paciência e cria histórias com sentido, úteis e cheias de valores eternos. Porque escrever não é uma paixão só minha. É muito mais de Deus. E tudo o que Ele escreve é perfeito, é justo, é agradável, é necessário.

Aquele que tem sido capaz de escrever cada detalhe do universo e de moldar tudo isso para que nossos olhos não percam de vista a Sua glória, muito mais poderá fazer por nossas vidas, para que nossas almas não se percam da Sua graça.






[1] Levíticos 10.3 – NVI
[2] Hebreus 1.3 – ACRF