terça-feira, 23 de setembro de 2014

O único capaz...


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“Eu clamo a Ti, ó Deus, pois Tu me respondes...”
Salmos 17:6


Cada momento de oração é uma oportunidade única. A oração é o nosso canal mais direto para falarmos com Deus e sermos ouvidos por Ele.

Penso em como devemos sentir-nos honrados por sermos recebidos pela Autoridade Máxima do universo a qualquer instante, em qualquer lugar, independente do nosso estado de espírito, independente de hora marcada, como ocorre com as autoridades humanas. E, por isso mesmo, penso em como é incoerente buscar intermediadores entre nós e Deus, uma vez que temos livre acesso à Sala do Trono, através unicamente do nome de Jesus Cristo, “pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Jesus Cristo.”[1]

Aos pés do Senhor, em oração sincera, podemos rasgar nossos corações, abrir nossas mentes, expor nossas emoções com clareza, sem maquiagem alguma, e externar tudo o que está dentro de nós e que precisa ser tratado, para a única Pessoa capaz de entender cada detalhe e cada um dos nossos porquês sem nos julgar, sem elaborar sequer um conceito precipitado ou equivocado ao nosso respeito.

Quando um médico inicia um tratamento num paciente com câncer, por exemplo, ele procura colher o máximo de informações possíveis acerca daquele paciente e do histórico de patologias na sua família. E durante o tratamento, muitas vezes constata-se que só quimioterapia ou radioterapia não serão suficientes, mas uma (ou mais) intervenção cirúrgica será necessária. E, nesse caso, toda a retirada do tumor deverá ser feita minuciosamente, de forma a não deixar nenhum resquício daquele mal no corpo do paciente.

A cura das nossas almas requer ainda maiores cuidados, pois não se trata de um corpo que se acaba com a morte, mas de um ser espiritual, que é eterno. Por isso, nenhum mortal é indicado pela Bíblia como um médico suficiente para nossas almas. Nenhum de nós possui tais habilidades.

Esse tipo de atitude – revelar nosso avesso – é o algo que somente pode ser feito a alguém confiável, a alguém que sabe compreender, que está disposto a ouvir e estar conosco, e principalmente, que saberá nos orientar depois de conhecer tudo, que será capaz de nos auxiliar nas decisões e atitudes que deveremos tomar, que será sábio para nos encorajar e forte para caminhar conosco adiante, e que será firme e preciso em nos corrigir, se for (e quando for) preciso.

Alguém que nos receberá e não nos despedirá de mãos vazias. Pensar que esse alguém possa ser um simples objeto ou uma pessoa meramente humana como eu e você, ou como qualquer outro nome citado na Bíblia além do nome de Cristo é um grande erro, “pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado. Assim sendo, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade.” [2]

A oração é como um “cartão magnético celestial” que nos foi dado pelo Senhor para, a qualquer momento, adentrarmos os portões do Palácio Real e acessarmos a recâmara do Rei, o Senhor, cujos olhos “voltam-se para os justos e os Seus ouvidos estão atentos ao seu grito de socorro”.[3] Não há socorro em imagens nem em esculturas, tampouco em pessoas que já morreram ou que ainda morrerão. Não há possibilidade de qualquer dele se mover para atender ao clamor de uma alma aflita, ou porque já morreram, ou porque morrerão, ou porque nunca tiveram vida. Jesus é o Deus que venceu a morte e que vive eternamente. Invocar outros deuses, depositar neles nossa fé, buscar deles o auxílio, a salvação, incomoda ao Deus verdadeiro, e provoca-Lhe a ira, a ponto de Ele mesmo declarar:

“Assim como o ladrão fica envergonhado quando é apanhado em flagrante, também a comunidade de Israel ficará envergonhada: seus reis e oficiais, seus sacerdotes e profetas. Pois dizem à madeira: ‘Você é meu pai’, e à pedra: ‘Você me deu à luz’. Voltaram para Mim as costas e não o rosto, mas na hora da adversidade dizem: ‘Vem salvar-nos!’ E onde estão os deuses que você fabricou para si? Que eles venham, se puderem, salvá-la na hora da adversidade! Porque os seus deuses são tão numerosos como as suas cidades, ó Judá! Por que vocês fazem denúncias contra mim? Todos vocês se rebelaram contra Mim, declara o Senhor.”[4]

Se queremos encontrar consolo para as nossas almas, paz para os nossos dias, alegria em meio à dor, nós precisamos direcionar nossa fé e dependência ao próprio Deus, o Criador dos céus e da terra, uma vez que “não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do Céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos”.[5]

Não há, pois, momento mais sublime que aquele em que estamos conversando pessoalmente com o Eterno Rei de toda glória. Ali, diante Dele – e somente Dele – encontramos tudo o que precisamos, porque Nele – e somente Nele – temos muito mais do que pedimos ou podemos imaginar.[6]





[1] 1Timóteo 2:5 – NVI
[2] Hebreus 4:15-16 – NVI
[3] Salmos 34:15 – NVI
[4] Jeremias 2:26-29 – NVI
[5] Atos 4:12 – NVI
[6] Efésios 3:20-21