quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Falando de amor...


Imagem disponível na internet.

Ele levou-me ao salão de banquetes,
e o Seu estandarte sobre mim é o amor...
Cantares 2:4 – NVI


Das muitas conclusões que já li e ouvi sobre o amor, não encontrei nada melhor que aquelas expostas pelo apóstolo Paulo, em que ele diz que o amor “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”[1].

O amor verdadeiro tudo sofre. Sofre a angústia de ser rejeitado muitas vezes, de não ser recebido com a mesma intensidade com que recebe a pessoa amada. Sofre a dor de se passar por ridículo ao insistir em permanecer tão verdadeiro e disposto diante do silêncio, das ofensas e das contrariedades que enfrenta. Sofre por persistir na sua luta solitária e não desistir jamais, ainda que pareça loucura, ainda que pareça impossível.

O amor verdadeiro tudo crê, acima de toda e qualquer circunstância adversa. Crê mesmo quando já não há esperança, persevera mesmo onde o caos obteve o domínio e a morte já atuou triunfante. Crê porque sabe que “para Deus não haverá impossíveis, em todas as Suas promessas.”[2]

O amor verdadeiro tudo espera. Espera o tempo de se manifestar em flores, espera passar o tempo de permanecer calado, apenas ouvindo. Espera pela mudança, espera sem esperança, muitas vezes espera sorrindo, outras muitas espera chorando. Espera com base no que vê, espera com vistas ao que não se não pode enxergar. Espera paciente, espera ansioso, mas espera.

O amor verdadeiro tudo suporta. Ele é capaz de se doar, a ponto de anular a pessoa que ama para garantir liberdade de escolha e de atitude da pessoa amada. Ele é capaz de sofrer calado para garantir o conforto do outro. Ele é paciente, é capaz de dar tempo suficiente e tempo além, pelo simples prazer que encontra em imaginar quão agradável será, após todos os conflitos, a grande conquista.

O exemplo mais perfeito e acessível de um amor verdadeiro está na pessoa de Jesus Cristo.  Amor que perdoa o que é repulsivo, que ama aquele que é indesejável, que acredita no que não merece nenhum crédito, que entende o incompreensível, e assim surpreende pela nobreza implícita na simplicidade de cada gesto e não pelo esplendor das aparências dos grandes feitos.

Esse amor é o que se emprega a curar as feridas do outro, aquele que muito se feriu por entregar o seu tesouro a pessoas erradas, e dia após dia trata-o, guardando a esperança de tê-lo de volta outra vez.

Quando um de nós se afasta dos caminhos de Deus, é esse amor que continua nos cobrindo como um manto quente em noites terrivelmente frias, e insiste em nos levar de volta para casa. Esse é o amor que não desiste de nós.

Esse amor verdadeiro se manifesta de Deus para com os homens e é imutável, irredutível, insubstituível, independente das nossas falhas, incredulidade, obras. Manifesta-se também de pais para filhos, entre casais, entre amigos e irmãos. Seja qual for, todas as fontes do amor procedem do Senhor e são fortes suficientemente para nos preencher e (re)animar onde estivermos, até que sejamos correspondidos igualmente.

Quando isso não acontece, o nosso amor se frustra – é comum. Mas ele tem um poder incrível de resiliência, e pode logo se recompor, assim que escolhe dissipar-se sobre outro alguém. Certamente é por isso que Deus sempre nos presenteia com novas oportunidades de recomeço. Um amor passa, outro chega, alguns permanecem... Seja como for, sempre temos condições de exercitar o amor a cada dia, se tão somente escolhermos amar outra vez.

Porque o amor verdadeiro nunca perece. Ele só fica guardado dentro de nós, esperando o momento certo de florescer em outros jardins e tornar melhor a vida de alguém.




[1] 1Coríntios 13:7
[2] Lucas 1:37