sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Meditações de um caminhante...


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“[...] Louvado seja o nome de Deus para todo o sempre;
a sabedoria e o poder a Ele pertencem.
Daniel 2.20 – NVI


Depois de certo tempo caminhando com Deus, compreendemos que a vida de um cristão não é uma descida encantadora por verdejantes campinas, entre borboletas, pássaros e flores, em direção a um barco num lago sereno, mas uma árdua e solitária subida por um caminho pedregoso e árido, entre escárnios e incompreensão, em direção ao alto do monte da crucificação do nosso eu. E, maravilhados, descobrimos também que qualquer barco no mundo pode nos levar para o outro lado do lago, mas a morte do eu nos leva para a eternidade com Cristo.

Depois de certo tempo caminhando com Deus, nós aprendemos que a Bíblia não é mais um livro a ser lido, mas um manual para ser vivido. Que a oração não é um monólogo induzido para forçar Deus a nos ouvir, mas um diálogo sincero e interessado principalmente em ouvir Deus. E que o jejum não é moeda de barganha com Deus e, sim, um meio de revestir-se de sabedoria e autoridade do alto para enfrentar os dias maus.

Depois de certo tempo caminhando com Deus, compreendemos que esta vida é apenas um grão de areia diante da imensidão da eternidade para onde estamos caminhando, e mesmo assim, esse grão é a gênese de toda a estrutura e satisfação que teremos lá, tal como a única célula microscópica que, fecundada, produz a vida e origina o corpo humano. E aprendemos que assim como os cuidados na gestação são importantes para o bom desenvolvimento do feto e da pessoa em si, assim também os cuidados e escolhas nesta vida são determinantes para o que teremos na eterna vida vindoura.

Depois de certo tempo caminhando com Deus, descobrimos que a ordem das prioridades que temos aqui altera a ordem dos acontecimentos, mas que, independente disso, se Deus não estiver no topo das nossas prioridades, essa ordem pode alterar o destino eterno das nossas vidas. Descobrimos também que nossas vidas sem o Espírito Santo estão fadadas ao absoluto fracasso, mas que o Espírito Santo sem nós continua sendo o Soberano Deus. E descobrimos que o amor de Deus é imenso, não pode ser comparado e nem descrito suficientemente por palavras e, mesmo assim, cabe perfeitamente no espaço vazio da alma do homem, que somente esse amor pode preencher.

Depois de certo tempo caminhando com Deus, conseguimos aprender com Ele que, embora seja mais fácil amar e lidar com coisas, pessoas são sempre mais importantes. Vemos o exemplo do Cristo, que mesmo sendo o Senhor desde o antes da criação e tendo um trono acima de todos, trocou o esplendor da Sua glória pela miserabilidade da vida humana, e aprendemos com Ele a amar e perdoar mesmo os mais desprezíveis dos homens, pois nos tornamos cientes que foi assim também que Ele fez conosco.

Depois de certo tempo caminhando com Deus, aprendemos a ver beleza no improvável, a desejarmos o intragável, a suportar o detestável, porque aprendemos a amar com o amor do Senhor que valoriza mais uma qualidade que a soma de todos os defeitos, que anseia pela vida por trás da maldade que a deforma, e que, sem parcialidade, exerce misericórdia e graça sobre todos, dando-lhes a mesma oportunidade de mudarem de vida, assim como a nós também foi concedida.

Depois de certo tempo caminhando com Deus, descobrimos que um amigo não é alguém perfeito, mas alguém que reconhece seus próprios erros e os compartilha amorosamente conosco, nos permitindo crescermos com ele. Descobrimos que amigo é alguém enviado por Deus para nos abençoar, que sempre chega quando todos vão embora, e que esse alguém muitas vezes é, surpreendentemente, aquele que sempre pareceu mais distante. E descobrimos que os amigos nem sempre são eternos, mas os benefícios da sua participação em nossas vidas, sim.

Depois de certo tempo caminhando com Deus, aprendemos que calar-se diante de certas situações nem sempre é consentir, mas ser o mais sábio. Ao contrário do que a grande maioria pensa, a maior sabedoria não está em sempre ter uma resposta final ou direcionadora, mas, precisamente, em produzir silêncio nas horas certas e, assim, evitar desgastes desnecessários e conflitos de proporções muitas vezes irreparáveis.

Depois de certo tempo caminhando com Deus, entendemos que Ele não nos condenou a amarmos uma única vez e, consequentemente, a termos apenas uma oportunidade de sermos felizes na vida. E que por mais que pareça impossível amar de novo, se tão somente escolhermos abrir-nos para vivermos os recomeços que a vida sempre nos concede, além de experimentarmos o incrível poder curador que Deus tem para sarar mesmo as mais profundas dores em nós, também veremos a renovação do Seu favor, sempre nos concedendo o direito de sermos felizes outra vez, quantas vezes forem necessárias.

Depois de certo tempo caminhando com Deus, percebemos que o mais forte não é o que fez mais, mas o que fez melhor. Percebemos que na matemática da vida ganha mais quem perde em benefício do outro, é maior quem se faz menor no Reino, multiplica exitosamente quem aprende a dividir, e é mais rico quem aprende a entregar toda a sua glória para Deus.

Depois de certo tempo caminhando com Deus, compreendemos que o mundo não para quando chegamos e ainda assim precisamos nos encaixar na existência. Compreendemos que mesmo nos cansando dos tantos nãos que a vida nos dá, é possível prosseguir com perseverança. Compreendemos que viver por fé é submeter-se ao invisível, confiar no impossível, esperar pelo improvável, abraçar o impalpável. É dar o próximo passo no escuro, com a certeza que nosso pé não será tragado por um buraco fundo bem à nossa frente. É saltar de um despenhadeiro com a certeza que plainaremos nas asas do vento em vez de nos esborracharmos contra as rochas logo abaixo. E compreendemos que a lógica de Deus não segue os nossos padrões, que Sua maneira de agir nem de longe imita nossas melhores estratégias, e que por isso mesmo Deus sempre está além de toda a nossa imaginação e anseio, sempre é incompreensível e isso é o que O torna ainda mais admirável.

Depois de certo tempo caminhando com Deus, entendemos que, por mais que tenhamos conhecimento e saibamos como aplicá-lo, nossa sabedoria é pequena demais diante do conhecimento e da sabedoria do Eterno. E vemos que, graciosamente, a cada manhã que acordamos para a vida, o Senhor nos concede uma possibilidade de crescermos e melhorarmos um pouco mais à sombra dos Seus sublimes ensinamentos. Por isso, chamamos este dia – hoje – de presente.

Nossas certezas comumente falham. Mas depois de certo tempo caminhando com Deus, aprendemos também que mesmo nossos erros podem nos dar lições incríveis, se tão somente a mão a nos reerguer das quedas for a mão do Senhor que caminha sempre – e incansável e incondicionalmente – ao nosso lado.