domingo, 15 de fevereiro de 2015

Seu grande amor...


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“Deus, no entanto, mostrou Seu grande amor por nós,
enviando Cristo para morrer por nós enquanto ainda éramos pecadores.”
Romanos 5.8


Existe um poder sobrenatural, que não cabe na compreensão humana.

Não se trata, porém, do poder de Deus fazendo milagres, promovendo cura para o corpo com doença incurável.

Nem se trata do poder de Jesus levando-O andar sobre as águas, ou trazendo de volta à vida pessoas que já haviam morrido.

Tampouco estou me referindo ao poder que operou o milagre da multiplicação, alimentando mais de cinco mil pessoas com dois peixes e cinco pães.

Nem mesmo é o poder que criou o universo e tudo o que nele há, apenas por meio da palavra.

O poder mais extraordinário e invencível que há, chama-se amor de Deus, e não pode ser comprado, vendido, negociado, ampliado, diminuído, modificado. É infinito na sua grandeza, perfeito na sua essência, intrigante nas suas razões.

Quando o homem põe-se a refletir sobre o que é capaz de levar um Deus perfeito a entregar Seu único Filho, inocente e imaculado, para morrer no lugar de bilhões de pessoas indignas, esse homem fica constrangido.

Não há como não se comover com a cena do Calvário, onde Deus Se entrega como o pior dos pecadores, sofre a tortura de uma morte cruel, agoniza sob o peso das culpas do mundo inteiro, até que finalmente dá Seu último suspiro, rendido ao Seu próprio sacrifício voluntário e altruísta, por amor àqueles que jamais poderiam ser libertos das suas prisões por outro meio, e a elas estavam condenados por toda a eternidade.

E porque em João 3.16 a Bíblia usa a expressão "Deus amou o mundo de tal maneira" e não "Deus amou algumas pessoas de tal maneira", cabe-nos questionar: O que faz um cristão pensar que Deus foi capaz de fazer tudo isso por ele não estenderia esse favor ao restante da humanidade? O que faz alguém julgar que mereça esse sacrifício e outra pessoa não? O que faz alguém convencer-se que tenha o direito de ser amado, perdoado e salvo por Jesus, e outras pessoas têm apenas o desprezo, a condenação e a morte por direito?

Não havia um justo sequer, e Jesus sabia disso muito bem, quando morreu pelo mundo[1]. Nenhum homem poderia pagar pela sua própria redenção ou pela redenção de um amigo[2]. Não houve, portanto, alguém que merecesse a morte de Cristo. Ele fez isso pelo mundo inteiro, “para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”[3]

Quando olhamos para o homem caído e não conseguimos ver resquícios de Deus capazes de fazê-lo se arrepender das suas culpas, é porque ainda não compreendemos o mistério do amor de Deus revelado na cruz do Calvário. A essência de Deus, o fôlego de vida, continua no homem, e assim, o seu espírito pode comunicar-se com o Criador sempre que O buscar de todo coração.[4]

Somente quem experimentou a cura da alma que é promovida pelo verdadeiro amor de Deus, pode compreender que há esperança de vida, transformação e salvação para qualquer ser humano, porque o próprio Deus não desistiu de nenhum sequer. Nós é que fazemos isso constantemente. Ainda que tenha decidido deixá-los seguirem os desejos pecaminosos dos seus próprios corações[5], "o braço do Senhor não está tão curto que não possa salvar, e o Seu ouvido tão surdo que não possa ouvir"[6].

E a visão de um cristão verdadeiramente convertido difere dos absurdos que lemos e  ouvimos de muitos deles em nome da justiça  o seu próprio conceito de justiça , que condena impiedosamente, enquanto a justiça do Reino Se presta a fazer o que é necessário em vez daquilo que parece certo, e escolhe ouvir com amor, colocar-se no lugar do outro, amá-lo incondicionalmente e absolvê-lo mediante do seu arrependimento.   É a mesma visão de um amigo de Deus e meu grande amigo também, o amado irmão Roberto Martins Guimarães, que recentemente escreveu:

O Poder de Deus pode mudar qualquer pessoa. Jesus era carpinteiro e trabalhava com madeira bruta, cortava, passava o formão e lixava, até que a madeira estivesse pronta para o uso do Marceneiro, que é Deus. Ainda acredito na transformação de um ser humano, ainda acredito na pureza e no amor das pessoas, pureza esta que só o Criador pode contemplar, pureza e sinceridade que partem do coração, pureza e sinceridade que nenhum carnal pode ter discernimento.[7]

Não se pode julgar e condenar quem Deus ainda mantém sob os pilares do Seu amor, graça e misericórdia. Não se pode olhar para um homem, por pior que seja o seu caráter, e determinar seu destino, quando uma das mãos de Deus ainda lhe aponta o caminho da salvação, e a outra está estendida para ele, disposta a ampará-lo tão logo ele se convença que precisa irremediavelmente do Senhor.

E diante disso tudo é que devemos admitir: Se foi o próprio Deus quem disse: “[...] ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como branca lã”[8], quem somos nós para revogarmos Sua Palavra?

Mais sábio, prudente e necessário, portanto, é seguirmos os exemplos do Mestre e intercedermos em orações sinceras pelo homem caído, estendermos a mão ao que necessita de ajuda, comover-nos com o estado de quem jaz no mundo sem Jesus, e permitir-nos ser enternecidos pelo pecador com o mesmo sentimento de amor, graça e misericórdia com que o Senhor um dia também nos resgatou para o Reino do Seu amor.

  




[1] Romanos 3:10-12, 21-24.
[2] Salmos 49:7-8
[3] João 3.16
[4] Jeremias 29.13; João 6.37
[5] Romanos 1:18-32; Isaías 1:1-2
[6] Isaías 1.2
[8] Isaías 1.18 – ACRF