sexta-feira, 1 de maio de 2015

Por detrás do legalismo e das aparências...


Imagem disponível na Internet.


O legalismo é um mal que tem assinado a angústia e o enfraquecimento espiritual de muitos cristãos. Infelizmente, no meio de pessoas que pregam comunhão há, na verdade, muito desafeto. E este, do modo mais sutil, ganha forma pela hipocrisia de pessoas que vivem uma santidade exagerada, de um modo de vida pretensiosamente exaltado, soberbo até. É comum encontrarmos católicos, evangélicos e praticantes de outras religiões julgando e até condenando outras pessoas por motivos diversos, dos mais fúteis aos mais severos, mesmo sabendo que somente a Deus cabe o exercício de tal juízo:

"Meus irmãos, não falem mal uns dos outros. Quem fala mal do seu irmão em Cristo ou o julga está falando mal da lei e julgando-a. Pois, se você julga a lei, então já não é uma pessoa que obedece à lei, mas é alguém que a julga. Deus é o único que faz as leis e o único juiz. Só ele pode salvar ou destruir. Quem você pensa que é, para julgar os outros?" [1]

Carregado de maldade, na verdade, o legalismo espalha tristeza por onde passa, porque desconsidera a intimidade pessoal de outros cristãos para com Deus, nivelando as pessoas sem atentar para suas particularidades, e exigindo delas padrões mínimos de santidade que o próprio Deus jamais estabeleceu. Julga impiedosamente os outros pelas suas fraquezas, sem considerar seus esforços. Denigre o menor e põe-se superior, inclusive requerendo para si o direito de julgá-lo e até de condená-lo, caso aquele cristão não atenda às suas expectativas.

E mais triste é ver irmãos sendo humilhados, feridos, excluídos por aqueles cristãos altivos e tendenciosos, que trocam diariamente suas vestes mas nunca mudaram seus corações. Jesus equiparou essas pessoas hipócritas que vivem de aparências a "sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos mortos e de toda a imundícia". [2]

A Palavra de Deus traz, pela exortação de Paulo aos judeus, a afirmação que não são rituais e tradições que tornam alguém santificado, mas o novo nascimento na pessoa de Jesus Cristo, que faz do cristão alguém novo, amoroso, tolerante, sincero, determinado, fiel, humilde, servil, gentil, espiritual, um filho cada vez mais parecido com o Pai. Pessoas assim são aplaudidas pelo próprio Deus, são aprovadas por Ele, porque sua santidade não se limita às suas vestes, às suas obras ou ao seu compromisso em frequentar cultos e grupos dentro da igreja. A santidade de um verdadeiro cristão é demonstrada em todo o seu modo de viver, e principalmente no exercício diário do amor para com os seus semelhantes.

“Portanto, eu pergunto: quem é judeu de fato e circuncidado de verdade? É claro que não é aquele que é judeu somente por fora e circuncidado só no corpo. Pelo contrário, o verdadeiro judeu é aquele que é judeu por dentro, aquele que tem o coração circuncidado; e isso é uma coisa que o Espírito de Deus faz e que a lei escrita não pode fazer. E o louvor que essa pessoa recebe não vem de seres humanos, mas vem de Deus.”[3]

Viver de aparências é um grande perigo em qualquer relacionamento. No caso de um relacionamento com Deus, as consequências podem ter proporções eternas. Quando Deus, que sonda os corações e não Se atém somente à aparência externa [4], nos chamar à Sua presença e julgar a cada um de nós segundo cada uma de nossas ações[5], Ele não o fará com parcialidade, dando preferências ou favorecendo a alguém por qualquer motivo que seja, porque o Senhor “não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas”[6]. Ele julgará com justiça, e dará a cada um de nós a devida recompensa.[7]

Por isso, é correto e necessário amarmos pessoas e não coisas, praticarmos o Evangelho e não rituais, seguirmos as pegadas mansas e amorosas de Cristo em vez dos passos apressadamente julgadores e impiedosos do nosso coração. A exemplo de Cristo, devemos enxergar além das aparências para amarmos mais e condenarmos menos. Devemos viver mais o que pregamos e pregarmos somente o que vivemos. Rasgar nossos corações, e não as nossas vestes [8], honrar a Deus com nossas vidas e não somente com nossos lábios [9].

E devemos ser mais cristãos e menos religiosos, menos legalistas. Porque cristãos são imagens pequenas de Cristo. E Cristo Se entrega, une, ama, vivifica. Já a religiosidade, o legalismo egoisticamente se isola, separa, ofende, distingue e fere, quando não mata.


[1] Tiago 4:11-12
[2] Mateus 23.27
[3] Romanos 2:26-27
[4] Romanos 8.27; 1Samuel 16.7
[5] 2Coríntios 5.10
[6] Deuteronômios 10.17
[7] Salmos 96.13
[8] Joel 2.13
[9] Marcos 7.6